Centro Cultural de Cascais,
Piso 1
1 Mar » 25 Mai ’25
De terça a domingo
das 10h às 18h
última entrada ás 17h40
Represento um mundo que é possível se as pessoas derem o seu melhor.
Trata-se de um mundo um pouco inalcançável,
que ultrapassa a experiência quotidiana, mas não de todo impossível.
Rodney Smith
Rodney Smith
A ALQUIMIA DA LUZ
A obra de Rodney Smith (1947-2016) é, acima de tudo, um convite para que entremos num mundo suspenso entre a ilusão e a realidade. Afastando-se das convenções modernas da fotografia documental ou do realismo, Smith inventou uma linguagem única, na fronteira entre esses dois mundos. As suas imagens, fossem encomendadas para importantes publicações norte-americanas como a Vanity e o New York Times ou para campanhas publicitárias das principais marcas da indústria da moda, oscilam invariavelmente entre o banal e o bizarro.
O que caracteriza esta obra, deslocando-a de certa forma para as margens da História da fotografia, é a capacidade de Smith imbuir as suas imagens de uma aura intemporal que lhes empresta um certo mistério, uma espécie de lirismo capaz de transcender o quotidiano e de as tornar «um pouco inalcançáveis». Smith é um autêntico arquitecto do tempo perdido. Mede, calcula e pesa, de modo a erigir, por um processo que só ele conhece, uma ordem geométrica da imagem perfeita. As suas composições extremamente meticulosas posicionam cada pormenor no sentido da transformação da imagem numa arquitectura da máxima precariedade, sempre à beira do colapso, mas, ao mesmo tempo, perfeitamente equilibrada.
Sublimes e supremas, exercem um genuíno fascínio em quem as contempla, pois nelas se encontram polaridade e dualidade, afirmação e contradição, certo e errado. Rodney Smith não se limita a documentar o mundo, transforma-o, amplia-o, sendo que apenas a fotografia pode materializar, num flash, as suas visões invulgares, os seus impulsos escópicos, com a rapidez de um relâmpago e tão fulgurantes como se estivessem prestes a quebrar a barreira do som. Amplamente reconhecida nos Estados Unidos, a sua obra é exposta pela primeira vez no Centro Cultural de Cascais. Trata-se de uma verdadeira descoberta, que permite conhecer o trabalho de um visionário que se servia da imagem fotográfica, qual Alice no País das Maravilhas, para passar para o outro lado do espelho da realidade e penetrar noutra dimensão.
Anne Morin, curadora
AMIGO DA
FUNDAÇÃO





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