Centro Cultural de Cascais,
Piso 1
16 Nov » 16 Fev ’25
De terça a domingo
das 10h às 18h
última entrada ás 17h40
Estes retratos nascem da minha curiosidade e admiração por este grupo de mulheres belas e fortes que, primeiro, me deixaram entrar nas suas vidas, permitindo que as pudesse retratar e que, depois, se uniram a mim nesta tradição, neste ritual de passagem anual.
Eu amo as minhas cunhadas Mimi, Laurie e Heather e agradeço-lhes do fundo do coração por todo o amor e paciência com que sempre me brindaram. A Bebe é o meu verdadeiro amor, a minha melhor amiga e o centro da minha vida. Sinto-me bastante afortunado e agradecido.
Nicholas Nixon
É suposto a fotografia espelhar a realidade do momento em que é registada, mas também pode levar-nos para universos distantes, no tempo e nas vivências, ou para o que é de cada um, através das emoções, fixando-nos àquele instante que poucos sabem captar por estar além do ténue impulso do imediato.
Nicholas Nixon mostra-nos que a fotografia conta igualmente histórias do que ali não se vê, criando desde logo uma relação entre o espectador e o que está para lá da imagem. Nixon retrata os sentimentos, os estados de alma, a tristeza e a felicidade, a dor, a intimidade ou até a saudade, priorizando o pormenor, a minúcia das expressões que encontra em cada pessoa, na cidade ou na paisagem. Conta-nos vidas sem que para isso seja preciso uma única palavra.
O talento infindável do fotógrafo norte-americano, nascido em 1947 em Detroit, no Estado de Michigan, estabelece uma afinidade genuína com o público, transportando-o para o cenário retratado, por diversas vezes o de familiares do autor.
Ao longo de um prestigiado percurso profissional, que o coloca entre os fotógrafos mais distintos do século XX, Nixon tem merecido destaque em vários centros culturais internacionais, como é exemplo o Museu de Belas Artes de Boston ou a National Gallery of Art em Washington, D.C., estando ainda em várias coleções públicas e privadas.
A sua obra chega agora ao Centro Cultural de Cascais, um espaço que há muito pertence ao circuito dos principais equipamentos culturais do país, da Europa e do mundo, fruto da programação eclética organizada pela Fundação D. Luís I, em colaboração com a Câmara Municipal de Cascais, em que a fotografia tem merecido particular atenção.
É uma honra, um privilégio e um prazer podermos acolher e dar a conhecer, numa parceria com a Fundación Mapfre, as fotografias de Nicholas Nixon, um fotógrafo que atravessou gerações e continua a ser uma referência para os que estão a começar nesta Arte tão nobre e tão moderna.
Carlos Carreiras
Presidente da Câmara Municipal de Cascais
Nicholas Nixon
COLEÇÕES FUNDACIÓN MAPFRE
Nicholas Nixon (Detroit, Michigan, 1947) ocupa um lugar singular e de destaque na história da fotografia das últimas décadas. A obra do autor, enfocada principalmente no retrato e na exploração das capacidades narrativas do aparelho fotográfico, revela uma tensão entre o visível, ou seja, o conteúdo (de uma claridade e de uma habilidade compositiva verdadeiramente extraordinárias) e o invisível, os pensamentos e preocupações que emergem das imagens. Mas, que mostram, afinal, estas fotografias? Todos sabemos que a fotografia se baseia na capacidade de reproduzir a realidade, de constatar um facto, ou seja, de retratar aquilo que se vê. Mas, no caso de Nixon, a fotografia trata precisamente de captar tudo aquilo que não se vê, como o amor, a paixão, a felicidade, a dor, a intimidade, a passagem do tempo ou a solidão; todos aqueles momentos fugazes, únicos e recordativos que esta arte permite conservar melhor que qualquer outra. Uma fotografia, trata-se antes de mais de um pedaço de papel, um suporte simples que, no entanto, se pode transformar num momento de verdade e de beleza ao exibir uma imagem fotográfica impressa. A principal virtude de Nixon manifesta-se, assim, nessa capacidade de fazer pensar e de transmitir emoções. Uma qualidade que explica como a obra do fotógrafo conseguiu alcançar hoje um valor universal, ao afastar-se dos discursos estereotipados para mergulhar nas misteriosas profundezas da alma humana.
Ao longo de uma obra organizada por séries, o fotógrafo dedica-se a explorar universos singulares com uma evidente preocupação social que desvela aspetos desapercebidos da realidade. Detalhes que, mesmo pertencendo à vida privada do artista, acabam por refletir um quotidiano com o qual nos podemos identificar, daí que as suas imagens possam facilmente despertar os ecos das nossas próprias memórias e emoções. O ritmo lento, os longos períodos, a ausência de elementos dramáticos, definem uma obra que se estende ao longo de quase cinco décadas de dedicação contínua. Nixon recorre a uma técnica simples, quase obsoleta, mas irrepreensível, ao valer-se de câmaras de grande formato que condicionam quer a proximidade, quer a cooperação da pessoa retratada, para poder, desta forma, revelar o universo íntimo de todos aqueles em que fixa o olhar: os idosos, os doentes, a intimidade dos casais ou a família.
Esta seleção de imagens representa a maior retrospetiva realizada até hoje da obra de Nicholas Nixon (1974-2022), ao transportar-nos das frias vistas de Nova Iorque ou de Boston nos anos setenta – que integraram uma das exposições mais importantes do século anterior (New Topographics) – à reconhecida série The Brown Sisters (As irmãs Brown) que constitui uma das reflexões mais minuciosas sobre o tema da passagem do tempo realizadas na história da fotografia. Trata-se de uma obra a que o fotógrafo se dedicou ao longo de toda a sua carreira até ser concluída em 2022 e que é, pela primeira vez, apresentada na íntegra nesta exposição. Uma mostra ao longo da qual os trabalhos do autor se encontram organizados cronologicamente e agrupados em torno das principais séries desenvolvidas ao longo da sua carreira. Este extenso itinerário constitui também um autorretrato de Nicholas Nixon, cuja obra manifesta as convicções mais íntimas do artista sobre tudo aquilo que, segundo ele, deveria ser fundamental, valioso e real nas nossas vidas.
Carlos Gollonet
Comissário
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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