Centro Cultural de Cascais,
Capela
23 Abr » 22 Jun ’25
Filipa Pais Rodrigues (Coimbra, 1969) expressa-se através das cidades que moldaram a sua identidade, revelando que a vida abrange a experiência de sermos cidadãos do mundo. Nascida em Coimbra, encontrou um novo mundo de costumes e perspectivas em Lourenço Marques, agora Maputo. Em Macau, aprofundou a sua jornada em direção ao desenvolvimento de uma personalidade aberta ao Outro. Ao regressar a Coimbra, prosseguiu os seus estudos em Pintura, com uma vertente gráfica, na Escola Universitária das Artes de Coimbra.
Ao longo do seu percurso pessoal e artístico, dois conceitos emergem como processos de autoconhecimento e criação artística — desconstrução e construção — que são parte integrante da sua prática artística na conceção e produção das suas pinturas, instalações e origami. A cor dourada, uma tonalidade terciária resultante da mistura das primárias magenta, amarelo e preto, desempenha um papel central nas suas obras. Frequentemente associada ao sol e ao poder, também se relaciona com grandes ideais, como a sabedoria e o conhecimento.
Fragmentos
Império do Meio e Saint Moritz
Quando os espectadores contemplam as suas pinturas de pequenas e médias dimensões adornadas com folhas de ouro e de prata, são convidados a descobrir o que essas camadas ocultam e, ao mesmo tempo, o que revelam — um desafio à organização do pensamento, que promove energias positivas e induz harmonia.
Duas das obras apresentadas na exposição, Embracing Mother Earth II e III (Abraçando a Terra Mãe II e III) de 2019, são parte de um tríptico de três caixas de madeira forradas com folhas de ouro, prata e papel de arroz. Cada caixa acolhe, organiza e protege Origamis, incluindo o Tsuru, brocados japoneses e o Cubo. Estas construções arquitetónicas evocam paisagens mentais, questionando a sua origem e o motivo daquela narrativa pictórica.
Depois, em St. Moritz, fragmentos de outros prismas – uma meditação visual sobre as paisagens emocionais de St. Moritz, uma aura de sofisticação e introspecção intensa. Banhada em silêncio e luz, St. Moritz revela-se não nas grandes paisagens, mas na poesia subtil dos detalhes — um brilho na neve, um reflexo da memória, uma quietude que só a alma reconhece. Esta série captura fragmentos de um lugar ao mesmo tempo majestoso e íntimo, trabalhados sobre papel preto com folhas de ouro, prata e bronze. As texturas metálicas evocam o luxo da paisagem, mas também a delicada tensão entre presença e ausência, inverno e calor, realidade e devaneio.
Cada obra é um close-up fotográfico— da natureza, do sentimento, da luz que passa — transformado em relíquia atemporal. São paisagens emocionais, vistas com os olhos da lembrança e do encantamento. A artista introduz ao espetador uma St. Moritz que ele talvez nunca tenha visto, mas que, de alguma forma, sentiu. A prática artística de Filipa Pais Rodrigues é, assim, o resultado de uma reflexão sobre a Condição Humana e sobre a sua própria condição, enquanto mulher artista e criadora de obras que proporcionam ao espectador experiências de prazer e satisfação, em razão da harmonia — da natureza dos materiais, da forma e do plano cromático.
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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