Centro Cultural de Cascais
Piso 0 e 1
4 Jun » 11 Set ’22
De terça a domingo
das 10h às 18h
última entrada ás 17h40
Juan Genovés
A Intensidade do Silêncio
Juan Genovés
Juan Genovés (1930-2020) viveu a Guerra Civil Espanhola quando era ainda uma criança dotada de um grande sentido de observação, uma capacidade que lhe permitiu ter consciência de tudo o que se estava a passar ao seu redor, apesar da sua tenra idade. As mudanças radicais que agitaram a sua infância estão na origem desse medo que, como confessou, o acompanhou ao longo da vida e que o converteu num artista comprometido capaz de revelar realidades silenciadas. Esse medo é, por vezes, acompanhado de outro elemento-chave para compreender o trabalho do artista: a solidão. Albert Camus afirmava que, “para a maioria dos homens a guerra representa o fim da solidão. Para mim significa uma solidão infinita”. É precisamente essa solidão infinita que o pintor retrata nas suas obras, e mesmo que preencha a tela com personagens que poderiam sugerir a imagem de uma multidão de seres humanos unidos, se aproximarmos o olhar vamos constatar que a realidade que sobressai é a de que são conduzidos em silêncio por um individualismo e uma solidão assustadores, uma situação que infelizmente permanece muito atual.
É difícil limitar num mesmo espaço a imensa produção artística deste criador infatigável que se dedicou com entusiasmo à sua carreira até ao final dos seus dias. No entanto, é possível abordar o percurso de Genovés, como se faz nesta exposição, quer através das suas obras dos anos sessenta – altura em que decide utilizar a pintura como meio de expressão – quer através de obras dos anos setenta, para poder finalmente desembocar na apresentação das suas derradeiras criações. Trata-se de uma produção artística que representa a filosofia no seu estado mais puro, uma obra na qual está bem patente a forma como o autor realiza uma análise profunda da sociedade dos séculos XX e XXI. Esta exposição, a primeira realizada em Portugal deste grande artista internacional, é uma oportunidade para constatar como Genovés foi capaz de criar um universo único e icónico – que chega mesmo a ser premonitório – no interior do qual a vocação estética do pintor se confunde com a sua incessante inquietação com a humanidade.
Maria Toral
Curadora da exposição
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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