Quinta do Pisão
21 Mai » 31 Jul ’22
De segunda a domingo
Verão (01.abr > 30.set)
9h00 – 21h00
Coelho-bravo, geneta, lagartixa-do-mato, perdiz-vermelha, peneireiro, raposa, salamandra-de-pintas-vermelhas, garça-real, águia-de-asa-redonda, cobra-de-ferradura, burro-mirandês, ovelha-campaniça, cabra, cavalo – a estes residentes permanentes juntam-se agora, entre Maio e Julho de 2022, novos habitantes no magnífico espaço natural da Quinta Ecológica do Pisão. Habitantes? Trata-se, na realidade, de um conjunto de seres difíceis de classificar (e nesta dificuldade reside muito do seu interesse), obras das artistas Armanda Duarte, Mariana Gomes e da dupla Sara Bichão e Manon Harrois que, pela primeira vez, quiseram interagir e captar a atenção da fauna local para as peças concebidas para a 10ª edição da Landart Cascais.
Deste modo, poderemos encontrar um estranho ser com quatro pernas, que caminha pelo espaço da quinta numa acção demorada no tempo. Ou descobrir uma espécie de ovos brilhantes e garridos, talvez a incubar uma nova espécie ainda nunca vista. Ou ainda, uma obra que convoca a memória do corte da madeira, e que conta com o trabalho que insectos e outros seres vivos nela farão durante todo o tempo que dura a exposição. De surpresa em surpresa, é o público que também é aqui convidado a prestar atenção ao trabalho imperceptível e tantas vezes invisível desses residentes – e das obras que agora convivem com eles durante o tempo da exposição.
Luísa Soares de Oliveira
Armanda Duarte
Uma tábua, cortada e aplainada mecanicamente, ergue-se do solo. Tem a expressão nua de uma fatia suprimida, recentemente, ao tronco de uma árvore. Colocada na vertical, é segura por uma estrutura de madeira, suficientemente pesada e resistente, que permanecerá enterrada, coberta de terra e, por isso, invisível. Com a floresta e a serra de Sintra a norte, a tábua é instalada em relação com o espaço natural e, de acordo com o vento dominante.
Estando rodeada por uma discreta mas electrificada cerca ( a mesma que delimita o movimento dos animais domésticos que aí pastam ) oferece-se , tal como eles, ao olhar dos visitantes. Esta tábua, será objecto de alguns gestos, suficientemente discretos, para que não perca a expressão de imediata crueza. Tais como : abertura de um estreito rasgo, que acompanhará, no sentido longitudinal, um dos seus veios e, pelo qual passará o vento, arredondar do topo (lixado manualmente) para que este se torne no lugar de possível poiso de uma águia de-asa-redonda, a ave que plana sobre a extensão deste prado. Outras hipotéticas incisões, não estão ainda determinadas.
Mariana Gomes
Na Vida e Opiniões de Tristam Shandy de Laurence Sterne (1713-1768), transgride as convenções do romance aliando o trágico e o cómico, a uma inventividade gráfica e humorística desconcertantes. Nesta teia nonsense, o narrador-herói dotado de uma omnisciência, só nasce verdadeiramente no IV volume, sendo antes disso um proto-ovo.
Sendo um começo antes do começo, a bizarria deste facto, leva-o a especular sobre a sua concepção. A peça constitui uma espécie entre este proto-ovo e uma grande pasta de tinta.
Sara Bichão + Manon Harrois
Às vezes é ainda melhor quando somos 2, é um jogo. Trocamos a bola, movemo-nos, mudamos de posição. Entre a Manon e a Sara é assim, desde o local de partida até os caminhos que percorrem (…)
Martial Deflacieux, 2017
Manon Harrois e Sara Bichão conheceram-se em 2014, a convite do curador Bosko Boskovic para integrarem a exposição Soundless Harmonies na galeria Rita Urso, em Milão. Desde aí, vêm colaborando ocasionalmente. O trabalho apresentado – “She has nothing to say, She has everything to say” – é uma escultura performativa que se desenvolveu após vários percursos a pé realizados pelas artistas na região vulcânica de Auvergne, em 2016. Consta de uma estrutura de madeira e de tecido de algodão, ao que se foram aglomerando elementos encontrados e alguns registos do domínio do desenho e da pintura. A cada vez que é reinstalada, esta escultura adquire novas formas e pode, também, ser objecto de activação. Na Quinta do Pisão, a obra irá fundir-se com a paisagem após uma série de ações iniciáticas com vista à sua absorção pelo habitat. Da relação com os animais e com as plantas, espera-se uma tentativa de retorno à origem do trabalho, depois da sua exposição em diversos espaços urbanos nos últimos anos.
Será uma acção de 24h, intitulada 4 PÉS. A obra será transportada pelas artistas desde a entrada da quinta até à zona onde permanecerá. Durante o percurso, a escultura será manipulada e transformada até chegar à sua posição final.
> Na galeria em baixo: Sara Bichão + Manon Harrois | Acção de 24h, intitulada 4 PÉS. A obra transportada pelas artistas desde a entrada da quinta até à zona onde permanecerá. Durante o percurso, a escultura será manipulada e transformada até chegar à sua posição final.
Vídeos de Apresentação
4 PÉS
LandArt Cascais
10ª Edição
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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