Em Voz Alta
OS NOSSOS POETAS
Temporada 2018
LEITURAS DE POESIA PORTUGUESA PELOS ARTISTAS UNIDOS AOS SÁBADOS NA CASA SOMMER EM CASCAIS
Leituras pelos Artistas Unidos
17 FEVEREIRO | 18H
Camilo Pessanha nasceu em Coimbra, em 1867. Foi um dos principais impulsionadores da poesia simbolista em Portugal. No final da década de 1880 publica os seus primeiros poemas, enquanto estudante de Direito na Universidade de Coimbra, recusando a estética romântica vigente. Publicou em jornais e revistas, colaborando em números tais como Atlântida (1915-1920), Ave Azul (1899-1900) e Contemporânea (1915-1926). Foi procurador régio em Mirandela, exerceu advocacia em Óbidos e, em 1894, parte para Macau, onde foi professor de Filosofia. O seu único título publicado em vida, Clepsidra (1920), é considerado um dos grandes livros da poesia portuguesa moderna. Morreu em Macau, em 1926.
10 MARÇO | 18H
David Mourão-Ferreira nasceu em Lisboa, em 1927. Em 1951, licencia-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Autor polifacetado, a sua obra reparte-se pela poesia, pelo ensaio, pela crítica literária, pela tradução, pelo romance, pelo jornalismo. Os seus primeiros poemas são publicados na Seara Nova, na década de 1940, embora seja com a revista Távola Redonda, na década seguinte, que a sua criação poética ganha fôlego. Os seus poemas Sombra, Maria Lisboa ou Barco Negro ganharam notoriedade ao serem cantados por Amália Rodrigues. Foi ainda Secretário de Estado da Cultura entre 1976 e 1979, dirigiu a Revista Colóquio Letras e foi director do Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Calouste Gulbenkian. Morreu em Lisboa, em 1996.
14 ABRIL | 18H
António Gomes Leal nasceu em Lisboa, em 1848. Frequentou o Curso Superior de Letras, embora não o tenha terminado. Trabalhou como escrevente de notário e colaborou com inúmeros jornais e revistas, tendo publicado a sua primeira obra poética em 1875, intitulada Claridades do Sul. A sua obra literária tem um cariz interventivo, latente sobretudo nos folhetins que publica em jornais ou n’O Espectro do Juvenal, publicação satírica que cria em 1872 com Magalhães Lima, Luciano Cordeiro, entre outros. Os seus poemas estão pejados de uma dimensão decadentista-simbolista, estética característica do final do século XIX. Morre na miséria, em Lisboa, em 1921.
12 MAIO | 18H
Herberto Helder nasce em 1930, no Funchal. Em 1948 matricula-se na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, e em 1949 muda-se para a Faculdade de Letras da mesma instituição, para o curso de Filologia Românica sem, no entanto, terminar os seus estudos. Nos anos 50 frequenta o grupo do Café Gelo, dando-se com nomes como Mário Cesariny, Luis Pacheco ou João Vieira. Colaborou em vários periódicos tais como Pirâmide, Távola Redonda, Jornal de Letras e Artes. Publica o seu primeiro livro em 1958, O Amor em Visita e em 1964 organiza o primeiro caderno antológico de poesia experimental com António Aragão, um dos marcos da história da poesia portuguesa. Morreu em Cascais, em 2015.
16 JUNHO | 18H
Alexandre O’Neill nasceu em Lisboa, em 1924. É um dos principais nomes do movimento surrealista português, tendo-se desdobrado nomeadamente em prosa, poesia e tradução, tendo tido ainda actividade na área da publicidade. A partir de 1957 assina colunas em jornais como o Diário de Lisboa ou A Capital, e fez parte da redacção revista literária Almanaque, juntamente com Sebastião Rodrigues, José Cardoso Pires, entre outros. Das suas obras literárias destacam-se Uma coisa em forma de assim (1980), Feira Cabisbaixa (1965) e Poesias Completas (1981 e 1983). Morreu em Lisboa, em 1986.
8 SETEMBRO | 18H
Alberto de Lacerda nasceu em 1928, na Ilha de Moçambique. Pertencente a uma geração de poetas portugueses que incluía Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner, António Ramos Rosa, Mário Cesariny e Herberto Helder, partiu para Londres no começo da década de 50 e lá se estreou em livro com uma edição bilingue lançada pela casa Allen & Unwin e traduzida pelo autor e o sinólogo Arthur Waley. Foi também a partir de Londres que construiu uma vida cosmopolita que o aproximou de figuras como Edith Sitwell, Cyril Beaumont e Stephen Spender e lhe proporcionou encontros com T.S.Eliot, Evelyn Waugh, Dylan Thomas, entre outros. Leccionou nos Estados Unidos nas Universidades do Texas, em Austin, em Columbia, Nova Iorque e em Boston University. Apaixonado por todas as artes, reuniu uma colecção que deixa em clara evidência a vastidão dos seus interesses culturais, a qualidade do seu gosto pessoal e o vasto alcance das suas amizades. Alberto de Lacerda publicou em vida 13 livros de poesia e mais de mil poemas inéditos. Morreu em Londres, em 2007.
20 OUTUBRO | 18H
Gastão Cruz nasceu em 1941 em Faro e licenciou-se pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em Filologia Germânica. Poeta e ensaísta português, professor do ensino secundário, o autor exerceu paralelamente, entre 1980 e 1986, a carreira de leitor de Português no King’s College de Londres e dirigiu, nos anos 70 a 90, o grupo de teatro Teatro Hoje/Teatro da Graça que ajudou a fundar. Com 19 anos publicou o seu primeiro livro, A Morte Percutiva, no volume coletivo intitulado Poesia 61. Começando por assumir uma escrita experimentalista, Gastão Cruz adotou depois formas clássicas como o soneto e a canção, que refletem bem, desde os anos 1960, a influência de Camões que, aliás, o autor não desmente. Autor de uma obra muito diversa publicou, entre outros, os seguintes títulos: A Morte Percutiva; A Poesia Portuguesa Hoje, 1973; Campânula, 1978; Transe (1960-1990); As Pedras Negras, 1995; Poesia Reunida, 1999; Crateras, 2000 e Óxido, 2016.
17 NOVEMBRO | 18H
Adolfo Casais Monteiro nasceu no Porto, em 1908. Em 1933, licencia-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Em 1930 passa a dirigir a revista literária Presença, ao mesmo tempo que reparte a sua actividade enquanto professor no ensino secundário. Em 1937 é afastado da carreira de docente por motivos políticos, o que o leva a fixar-se no mundo literário como autor, tradutor e editor. Da sua autoria destacam-se as obras de poesia Poemas do Tempo Incerto (1934), Canto da nossa agonia (1942), O estrangeiro definitivo (1945), entre outras. Morreu em São Paulo, no Brasil, em 1972.
8 DEZEMBRO | 18H
Armando Silva Carvalho nasceu em Óbidos, em 1938. Licenciou-se em Direito, pela Universidade de Lisboa. Para além de advogado, foi professor e jornalista. Em 1959 participou na Antologia de Poesia Universitária ao lado de Ruy Belo, Luiza Neto Jorge, Gastão Cruz, entre outros, e na revista Quadrante, da Associação Académica da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Em 1965 publica Lírica Consumível, o seu primeiro título de poesia. Colaborou com vários periódicos portugueses, nomeadamente o Jornal de Letras, o Diário de Lisboa, a Colóquio Letras. Morreu nas Caldas da Rainha, em 2017.
Jorge Silva Melo
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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