Centro Cultural de Cascais
(Capela)
29 Jan » 30 Abr ’22
De terça a domingo
das 10h às 18h
última entrada ás 17h40
Um título é um ente definidor, condicionador na sua objectividade anunciadora, mas ao mesmo tempo é um espaço de promessa, como dizia Derrida- “…representa uma promessa dentro de um enunciado que propriamente falando não tem significado”. No desenho, as leis da perspectiva, da luz , das proporções devem ser respeitadas por princípio. No entanto, pode acontecer, acontece, que o desenho se desvie desse dever. Por simples indisciplina ou rebeldia.
Unclear-perspectives
Unclear-perspectives anuncia um mundo de traços desenhados em perspectivas que, se reparamos bem, não obedecem às leis da perspectiva, nem à lógica das sombras, nem às regras da geometria. Mas permitem abrir espaços de promessas que podem significar muitas coisas- tudo o que observador possa imaginar e querer ver.
Mas há que distinguir entre VER e OLHAR. Ver remete para o sentido da visão, para a vista e para a mecânica do olho e, em última análise, para a relação óptica com as coisas e com o mundo. O olhar implica mais do que isso- implica “desalojar-se” da coisa vista. No olhar está implícita “(…) uma relação, uma operação de correspondência. Aquele que olha é olhado ao mesmo tempo”. O olhar transporta o sujeito que olha para além de si mesmo. O que eu olho, observa-me silenciosamente e nessa relação íntima e silenciosa nasce um conhecimento mútuo e uma mensagem. O desenho na medida em que se dá a ver, dá-se ao conhecimento e ao reconhecimento e, como tal, torna-se “(…) um lugar de relação, de sedução e segredo”. E de ilusão porque a realidade transforma-se através da imaginação, da curiosidade. É essa ilusão que estes desenhos querem ter. Porque a realidade é uma viseira e é melhor olhar a realidade perante nós sem viseira.
O olhar de quem vê é, pode ser, outro mundo, outra fonte de fenomenalidade, “ outro ponto zero do aparecer” ou do parecer. Nesta exposição espera-se que quem vê possa lançar-se no infinito da imaginação. Porque até o espaço e os seus limites podem ser manipulados e nessa medida, o objectivo dos desenhos que se podem ver nesta exposição é desafiar os limites, sair de si e do papel. Criam a sua própria contradição interna. Ao mesmo tempo que criam os seus próprios limites físicos, as suas margens, procuram desde o início continuá-los para o infinito, ultrapassá-los.
Texto escrito de acordo com o anterior acordo ortográfico
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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