Centro Cultural de Cascais,
piso 0 e 1
23 Abr » 9 Jul ’23
De terça a domingo
das 10h às 18h
última entrada ás 17h40
Francisco de Goya
GOYA
Testemunho do Seu Tempo
Esta mostra é uma oportunidade única de abordar a essência artística do mestre Francisco de Goya. Por essa razão, estabelecemos um percurso pelas facetas mais importantes da sua dilatada trajectória, como pintor e gravador. Encontramo-nos, destarte, perante uma excelente oportunidade para descobrir a sua produção gráfica mais importante, graças às quatro séries de gravuras que realizou.
Quanto aos temas que trata, o mestre é um revolucionário que instaura um novo conceito de arte, o artista como testemunha do seu tempo: as vicissitudes sociais atingem a categoria de protagonistas nas obras artísticas. Assim, as obras que podemos ver nesta exposição tratam temas como a religião, as mulheres, a educação, a tauromaquia e a guerra.
A sua modernidade mina os alicerces da tradição e lança as sementes das novas correntes artísticas. O niilismo do mestre de Saragoça faz dele um genuíno inovador, tornando-o o primeiro pintor da arte moderna. Envolve-se de um modo dantes nunca visto, vai muito além da mera concepção artística e revela o seu pessimismo e as sus convicções nas suas obras, que são uma clara expressão de denúncia e rejeição. Goya expressa a sua opinião livremente. O seu legado mais importante para a arte moderna vai ser, precisamente, esta liberdade. Um legado que o consagra como fonte de inspiração e precursor de movimentos como o Romantismo, o Impressionismo, o Expressionismo e, sem dúvida, o Surrealismo mais puro. Rompendo com todos os padrões tradicionais da sua época, Goya antecipou-se às correntes artísticas dos séculos XIX e XX.
A sua arte continua a comover-nos. Assim é Goya: um artista capaz de emocionar-nos, comprometer-nos e converter-nos em testemunhas directas de factos que não vivemos mas que, infelizmente, ainda sucedem, e sucedem universalmente. Goya foi um génio por vezes incompreendido, que assentou as bases para que a arte seja, nos dias de hoje, tanto um meio de expressão como uma arma de liberdade. Apesar da solidão em que morreu, exilado em Bordeaux, Goya nunca esteve só, como é demonstrado por todos os artistas que influenciou, como Edouard Manet ou Pablo Picasso, que também foram cronistas dos dramas sociais ou das guerras do seu tempo. Pode ter sido uma solidão escolhida, porque, como disse Albert Camus: «Para a maioria dos homens, a guerra é o fim da solidão. Para mim, é a solidão infinita.»
Maria Toral
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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