Segundo se sabe, despertou para o jazz em 1944, com 13 anos de idade, ouvindo atentamente programas das rádios portuguesa e norte-americana, como Hot Clube de Luís Villas-Boas e The Voice of America, e como colecionador de discos, tendo tido oportunidade de conhecer o trabalho das grandes orquestras da época nas quais pontificavam Glenn Miller, Count Basie, Tommy Dorsey, Harry James, e, mais tarde, Duke Eilington, Pete Johnson/ Albert Ammons e Meade “Lux” Lewis.

Ainda nos anos 1940 conhece o trabalho de Charlie Parker, através da etiqueta Dial em 78 rpm, e depois Miles Davies, Stan Getz, Dizzy Gillespie, Sonny Rollins e tantos outros do chamado Be-bop. As sonoridades a que se habituou nessa altura motivaram a paixão pelo jazz que o acompanhou ao longo de toda a vida.

Em 1974, foi convidado por Luís Villas-Boas para se lhe associar em parceria, que se manteria até 1988, na produção da IV edição do Cascais Jazz, iniciando a sua atividade como produtor e promotor de concertos e de festivais de música jazz.

Nos anos 1980, concebeu e concretizou, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, um novo festival de jazz realizado no Parque Palmela – Jazz Num Dia de Verão. Para sempre identificado com o parque, beneficiado em 1996 com a construção do auditório Fernando Lopes-Graça, o evento passou a designar-se, em 1990, Estoril Jazz/ Jazz Num Dia de Verão, cuja última edição foi em 2015.

A partir de 1988 e durante a década de 1990, Duarte Mendonça realizou, em várias localidades portuguesas, outras produções de relevo, como o Galp Jazz e inúmeras coproduções com instituições como o Centro Cultural de Belém e a Culturgest, entre outras.

Ao longo do seu percurso enquanto produtor, Duarte Mendonça procurou sempre apresentar ao público português o maior número possível dos grandes nomes do jazz norte-americano, podendo ser igualmente salientada a organização dos Cursos Internacionais Projazz e muitas outras atividades, com a participação de destacados músicos e pedagogos da área do jazz.

Duarte Mendonça – senhor de uma personalidade forte que, se bem que nem sempre tornasse fácil o trato com os seus interlocutores, lhe permitia defender com vigor as suas ideias – foi, com o citado Luís Villas-Boas e outros (Manuel Jorge Veloso, Raul Calado, Francine Benoît, por exemplo), um dos mais notáveis divulgadores em Portugal dos vários avatares da música jazz e da cultura que lhe subjaz.

O Conselho Diretivo da Fundação D. Luís I apresenta à família enlutada sinceras condolências pelo seu desaparecimento.

O Conselho Diretivo

Ana Padrão, Fernando Garcia, Salvato Teles de Menezes

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