Centro Cultural de Cascais,
Capela
30 Out » 5 Fev ’23
De terça a domingo
das 10h às 18h
última entrada ás 17h40
O mundo que nos rodeia, esse pequeno mundo que é específico a cada um de nós, está recheado de motivos de encanto… Mas quantos de nós damos por isso? Para Fernando de Sousa Carvalho, natural do concelho de Vila Nova da Barquinha, lisboeta por adopção durante toda uma vida de trabalho e, finalmente, “Barquinhense” por opção, nos anos tranquilos da reforma, chegou o tempo de olhar, de forma mais atenta, os lugares que o rodeiam. A máquina fotográfica passou a ser uma companheira constante, tanto em viagem como a partir do terraço da sua casa em Vila Nova da Barquinha.Primeiro foram as pequenas decepções com a sua concepção: “tinha ficado melhor se…” , “se eu tivesse apanhado aquele ângulo dali…”, enfim toda a autocrítica que faz um verdadeiro apreciador.Com o passar dos anos e muitos “cliques” da sua Leica, um dia reparou que tinha um vasto e diverso conjunto documental desse mundo em que cada um de nós evolui. E, sobretudo, como é bela a zona do país que escolheu para passar os anos da reforma, com o privilégio do tempo livre.São olhares de apreço e também de gratidão. Porque, para o citadino que regressa às suas origens, há um encanto especial nessas imagens, simples na forma mas profundamente significativas, de uma Natureza que sabe acolher forasteiros e chamá-los a si. E a melhor forma, acessível a qualquer amador empenhado, é a Fotografia, essa arte misto de técnica e de imaginação, que nos permite guardar para sempre um momento de encantamento. Fernando de Sousa Carvalho, agora residente por opção em Vila Nova da Barquinha, mostra aqui instantâneos de um Amador no melhor sentido da palavra: aquele que verdadeiramente Ama os lugares que seduzem o seu olhar e os torna companheiros para toda a sua existência,fixados pela magia da Arte do nosso tempo que é a Fotografia.
Vila Nova da Barquinha, 2022 Janelas de Portugal
Maria João Namorado d’Aguiar Sousa Carvalho
Janelas de Portugal, Cascais
FERNANDO DE SOUSA CARVALHO
Espreitar todo o país pela janela é o desafio que nos lança Fernando de Sousa Carvalho, natural do Entroncamento, Lisboeta por adopção durante toda uma vida de trabalho e, finalmente, Barquinhense por amor ao lugar que escolheu para viver nos anos de tranquilidade e sossego da reforma. A seu lado, a companheira, Maria João Namorado de Aguiar, com quem partilha a vida desde o casamento e que, como sempre, está a seu lado, uma vez que os textos da Maria João acompanham as fotografias do Fernando, dando-nos informações preciosas para o desafio de reconhecimento que o fotógrafo nos propõe. As Janelas de Fernando de Sousa Carvalho ― aqui e além uma porta por onde podemos entrar ―levam-nos por todo o país, por Guimarães, Viana do Castelo, Braga, Ponte de Lima, Porto, Aveiro, Ilhavo, S. Martinho do Porto, Buçaco, Cúria, Coimbra, Almeirim, Tomar, Alpiarça, Caldas da Rainha, Santarém, Golegã, Azinhaga, Cacela Velha, e, por último, mas nunca em último lugar, Tavira. Janelas de Portugal, todas elas a darem testemunhos da História, de como esta se dá a conhecer na trama das acções humanas e, neste caso, em formas arquitectónicas, onde se cruza o gosto do tradicional com as mais diversas linguagens artísticas. As Janelas de Portugal são ainda sinais de permanência ao correr dos séculos, que nos asseguram os sentidos do testemunho implícito nas imagens. No seu puro existir, elas contrariam sensações de futilidade e desafiam a fugacidade da vida, impondo-se como um trilho que escapa ao determinismo geográfico, ainda que sinais do mesmo possam subsistir, e que patenteia o que de mais humano nos revela a sua arquitectura e a sua ornamentação.
São objectos, ainda antes de serem imagens, que, por intermédio de uma dupla câmara mágica, a do olhar do Fernando de Sousa Carvalho e a do instrumento fotográfico, captaram, pura e exacta, a imagem capaz de suscitar um misto de emoção estética e de intrigante curiosidade. Quem se ocultará por trás da cortina corrida ou da portada de madeira semi-cerrada? Que tesouros se escondem para além do ângulo de visão do espectador? E aquela outra cortina entremeada por uma renda ― eram assim as rendas da minha Avó ― quem olha por detrás da cortina translúcida? E a daquela janela aberta, será que vai esvoaçar ao afago da brisa matinal? E as grades na sua geometria precisa, que belo desenho o das grades a rematar a pedra que emoldura as vidraças. Quem nos convidará a transpor a soleira da porta de madeira castanha que contrasta com a cercadura de pedra? Deve ser bom estar naquela outra varanda numa noite de estrelas ou de lua-cheia, a ouvir o silêncio do universo. Será que, ao nascer do sol, um pássaro vem poisar junto da flor que se debruça naquela janela mais à frente? Se eu dormisse naquele quarto que tem uma janela ornamentada por tufos de flores no parapeito, viria, mal o sol raiasse, aspirar o perfume de cada uma delas.
E estremeceria de alegria por o poder fazer, numa sensação talvez semelhante à daquela Mãe que abraça o seu filho e que eu, daqui, vislumbro pela Janela aberta, enquanto espectador emocionado por esta bela Exposição. Como já fiz notar noutra ocasião, o Fernando é um poeta dos afectos, que encontrou na arte da fotografia uma forma singular de os manifestar. Singular pelo rigor do ângulo por que capta as imagens que transforma em dádiva para quem as contempla; e que, ao contemplar, não pode deixar de se interrogar sobre aquilo que, porventura, deixou de ver na voragem em que consome o dia-a-dia. Com que afã e ao longo de quantos anos, o fotógrafo-artista foi juntando o acervo que agora nos revela! Atrevo-me a dizer que, pelas suas Janelas, entra o sopro de uma generosidade sem fim, que toca as nossas almas devolvendo-nos ao mais humano de nós mesmos, já que pelas Janelas de Portugal alcançamos a catarse do que nos distrai daquilo que realmente somos e do mundo que nos cerca. Muito obrigada, Fernando, por o teres feito e pelo trabalho de no-lo mostrar! e muito obrigada a todos os que aqui vieram para o acompanharem neste momento inaugural das suas Janelas de Portugal em Cascais.
Teresa F. A. Alves
(Escrevo de acordo com a antiga ortografia)
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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