De Homero à Bíblia, desde as suas origens mais remotas, a cultura ocidental é marcada pela presença do texto. Foram assim muitas as obras que resistiram à passagem do tempo e que deram corpo a um cânone ao qual amiúde nos referimos como “clássicos”. É sobre essas Grandes Obras da Cultura Ocidental que a Cátedra Cascais Interartes concebeu um ciclo-seminário permanente para o qual convidou reputados especialistas que nos irão ajudar a compreender melhor a razão pelas quais determinados textos conseguiram integrar o nosso tecido cultural comum.
GRANDES OBRAS DA LITERATURA UNIVERSAL
11 ABR ´26 | 17H
Hard Times. For These Times,
de Charles Dickens,
por Luisa Leal de Faria
ID do Webinar: 896 8965 9265
Senha: 281144
Passados mais de cento e setenta anos desde a sua publicação, por que razão nos interessará ler, hoje, Hard Times, de Charles Dickens? Desde logo, porque Dickens é um gigante da literatura inglesa (e universal) que ainda não tinha marcado presença no Ciclo das Grandes Obras da Literatura Universal. Depois, porque Hard Times, escrito e publicado bem a meio do século XIX (1854), se situa num tempo de mudança, sentida como uma transição para um novo modo de estar no mundo, em que o trabalho manual é substituído pela produção fabril, mecânica e em série, a industrialização e o industrialismo. Hoje, vivemos uma nova transição, em que o trabalho intelectual começa a ser substituído por um novo tipo de máquina, a Inteligência Artificial. A obra de Dickens poderá despertar-nos para as consequências da assimilação acrítica de estereótipos comportamentais que relectem correntes de pensamento dominantes na época. Hard Times é uma narrativa de resistência ao pensamento dominante e às suas formas de transmissão através do sistema educativo. É, também, um documento ímpar sobre a sua época. E é, inquestionavelmente, uma grande obra literária, que continua a manter relevância num mundo em constante mudança.
LUISA LEAL DE FARIA
É Professora Catedrática da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa, onde foi Vice-Reitora entre 2004 e 2012 e Presidente da Sociedade Científica entre 2016 e 2024.
Licenciou-se em Filologia Germânica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, (Janeiro de 1974, com uma dissertação sobre romances sociais vitorianos). Também na FLUL obteve o grau de Doutor em Cultura Inglesa (em 1987, com uma tese sobre Thomas Carlyle e um estudo complementar sobre E. M. Forster) e o título de Agregado (em 2004). Foi na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa que desenvolveu a sua carreira académica, desde 1972, quando foi convidada para monitora na secção de Filologia Germânica, depois como assistente, Professora Auxiliar e Professora Associada no Departamento de Estudos Anglísticos, até 2004, altura em que aceitou o convite para Vice-Reitora da UCP.
Na Faculdade de Letras, a partir de 1974 foi várias vezes membro do Conselho Directivo, foi Presidente do Conselho Pedagógico, Vice-Presidente do Conselho Científico, representante da Faculdade à Comissão Científica do Senado
Universitário, Diretora do Departamento de Estudos Anglísticos, Directora do Grupo de Cultura do Centro de Estudos Anglísticos, entre outras funções académicas, por eleição ou por inerência.
Foi Subdirectora Geral do Ensino Superior no final dos anos 80, representante de Portugal no Concelho CEPES-UNESCO, e Coordenadora Nacional dos Programas Europeus Língua e Sócrates, no princípio da década de 90.
No plano do ensino e da investigação os seus interesses começaram por focar a literatura inglesa oitocentista, tendo vindo a orientae-se para o estudo da Cultura Inglesa, ainda na Faculdade de Letras. Depois, na Universidade Católica, concentrou-se sobretudo nos Estudos de Cultura. Um interesse permanente, desde a viragem do século, é a reflexão sobre a Universidade e as suas variações de modelo, no tempo e no espaço.
É membro da Direcção da Associação de Solidariedade Social D. Pedro V desde 1995, sendo actualmente Vice-Presidente. É Dama de Comenda da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém.
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