Centro Cultural de Cascais,
Capela
12 Fev » 23 Abr ’23
De terça a domingo
das 10h às 18h
última entrada ás 17h40
O Sacrifício, Andrei Tarkovsky
A Ponte, o Campanário, a Casa e o Barqueiro
RUI ALGARVIO
Quando Matisse se confronta com a questão de saber se acredita em Deus, ele responde: “Sim, quando estou a trabalhar.” Talvez seja nesta tentativa de perceber o que vai acontecendo quando se trabalha que o mistério se adensa. Quem é que me diz que decisão tomar naquele momento específico? Porquê riscar aqui e não ali? Porquê colocar aquela mancha desta forma, com esta cor? Mas afinal quem fala comigo? Estou realmente a falar comigo mesmo ou com a pintura? E a pintura também fala? E porque será que tudo fica, mais cedo ou mais tarde, resolvido na pintura? Tantas questões por responder, que são solucionadas no quadro. Naturalmente que a decisão de iniciar uma pintura, um desenho, pressupõe uma ideia prévia, mas neste processo de execução reside o indizível, e o resultado será apenas este esforço de resolver o que não tem solução.
E quando me confronto com a obra de outros artistas? Há momentos em que tenho a sensação de que o artista soube responder a todas estas inquietações e o resultado foi tão bom que nada mais há a acrescentar e que nos resta apenas contemplar.
Quando, em frente a uma pintura de Manet, na cena final de Frantz, um estranho pergunta a Anna: “Também gosta deste quadro?”, ela responde: “Gosto. Dá-me vontade de viver.”
Rui Algarvio, Janeiro de 2023
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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