HISTÓRIA E ARTE
Entre as temáticas para a terceira edição deste ciclo estão: Os “50 anos de Maio de 68”, em que participam o jornalista José Ferreira Fernandes e o encenador Hélder Costa; “A Medicina durante a Expansão Portuguesa”, pelo médico e antigo bastonário da Ordem dos Médicos José Germano de Sousa; “200 anos do Pensamento marxiano”, com Rubem de Carvalho e Silvério Rocha Cunha; “Os Contos Populares”, com o escritor e jornalista José Viale Moutinho; “50 anos de Invasão de Praga”, pelo arquiteto Manuel Augusto Araújo e “A Música no Cinema”, por Manuel Deniz de Sousa.
Numa organização da Câmara Municipal de Cascais e da Fundação Dom Luís I, as Conversas no Bairro integram a programação do Bairro dos Museus de Cascais.
A primeira Conversa no Bairro “As Imagens e o Tempo: a Arte nos Percursos Humanos” decorreu no dia 17 de março, na Casa Sommer, com a investigadora Isabel da Silva Costa. Licenciada em História de Arte, com pós-graduação sobre relações entre a arte e política do Estado Novo, tendo participado no levantamento e inventariação de património artístico, Isabel da Silva Costa irá destacar “uma forma não convencional de olhar a arte, num exercício em que se coloca lado a lado arte contemporânea e a arte pré-histórica. Uma proposta de reflexão sobre o significado e a função da arte, a partir das tensões expostas entre dois períodos artísticos tão distantes no tempo”.
Para assinalar esta efeméride, as Conversas no Bairro recebem José Ferreira Fernandes, um dos mais reputados jornalistas portugueses e diretor do Diário de Notícias, e Helder Costa, encenador e diretor do Grupo de Teatro A Barraca.
Será uma sessão onde os dois convidados conversam sobre o Maio de 68, dando a conhecer a própria experiência na altura dos acontecimentos e a história ao longo destes 50 anos.
As Conversas no Bairro estão de volta a Cascais pelo terceiro ano consecutivo abrindo portas à reflexão e ao pensamento com um ciclo de oito encontros. Artes, Política, História, Medicina e Música são algumas das temáticas que levam à Casa Sommer, ao Espaço Memória dos Exílios e ao Museu da Música Portuguesa diversos convidados.
José Ferreira Fernandes (Luanda, 1948) é um dos mais reputados jornalistas portugueses, tendo colaborado com o Público, o Diário Popular, a Visão e a Sábado, entre outras publicações. Recebeu diversos prémios de reportagem, entre os quais o prémio Bordalo — Jornalista do Ano (Casa da Imprensa) e o prémio Jornalista do Ano (Clube de Jornalistas do Porto). Atualmente é Diretor do Diário de Notícias.
Hélder Costa nasceu em Grândola. Em Paris, onde estudou Teatro, fundou o “Teatro Operário de Paris”. É o diretor do Grupo de Teatro ” A Barraca”. Tem uma vasta obra publicada, entre a qual se destacam: Liberdade, Liberdade, Lisboa, 1974; O Congresso dos Pides e Um Inquérito, in “Ao Qu’isto chegou”, 1977; A Camisa Vermelha, Coimbra, 1977; Três Histórias do Dia-a-Dia (O Jogo da Bola, A Sorte Grande, A Vaca Prometida), 1977; ; Um Homem é um Homem – Damião de Góis, teatro, Coimbra, 1981; O Príncipe de Spandau, Lisboa, 1997; Marilyn, meu amor, drama original em dois atos, Lisboa, 1997; O Mistério da Camioneta Fantasma, Lisboa, 2001.
O jornalista e escritor José Viale Moutinho falará sobre os caminhos agitados da Literatura de Cordel em Portugal, bem como da chamada Literatura Popular Portuguesa, referindo as intervenções de várias figuras, sobretudo entre a segunda metade do século XIX e a primeira do século XX. Dois universos muito próximos, porém com expressões e consumo bem diferentes, entre a oralidade de lareira e os folhetos pendurados de cordeis.
O autor publicou vários volumes de literatura popular.
O jornalista Ruben de Carvalho e o professor universitário Silvério Rocha Cunha vão estar na Casa Sommer para falar sobre o Pensamento Marxiano. “Dois séculos após o nascimento de Marx, 70 anos depois da Declaração Universal dos Direitos do Homem, os direitos humanos são, a um tempo, símbolos de uma vocação universal e de uma dimensão relativa por entre as correlações de força que atravessam o horizonte histórico do presente. Indagar sobre o alcance e os limites deste paradoxo, com incidência sobre uma perspetiva socialista relativa aos direitos que ultrapasse as contradições existentes, eis o objetivo da intervenção”, refere o professor Silvério Rocha Cunha.
A conferência visa dar um panorama da medicina ao tempo da expansão, dando conta de como era ser médico nessa altura, qual a sua formação, conhecimentos e prática e que tipo de assistência hospitalar existia então em Portugal, em especial numa cidade como Lisboa, tornada a principal cidade mercantil. Por outro lado, esta “Conversa no Bairro” pretende abordar as duras realidades da viagem a bordo das naus, a “medicina e a doença embarcada”, as condições sanitárias, a saúde psicológica, a alimentação, a fome e o sofrimento e o que isso significou para milhares de portugueses que tiveram a coragem de demandar as Índias e o Japão. Irá focar também alguns aspectos da assistência médica e hospitalar, nas terras descobertas e relatar as doenças então predominantes ou vindas das novas terras descobertas.
A música no cinema mudo tem despertado o interesse da investigação. Porquê? Será este o tema da última “Conversa no Bairro” de 2018, com Manuel Deniz Silva, investigador do Instituto de Etnomusicologia/Centro de Estudos de Música e Dança (INET-md) e professor auxiliar convidado no Departamento de Ciências Musicais da FCSH da Universidade Nova de Lisboa.
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