A FUNDAÇÃO DOM LUÍS I JUNTA-SE, PELO SEGUNDO ANO CONSECUTIVO, AOS ARTISTAS UNIDOS, PARA CELEBRAR A OBRA DE GRANDES POETAS NACIONAIS.
A começar, poesia erótica escolhida por Natália Correia.
ARTISTAS UNIDOS DIZEM OS GRANDES POETAS NACIONAIS.
A programação de Em Voz Alta, os nossos Poetas em 2019 inicia-se com a leitura, por Manuel Wiborg e Luís Lucas, de poemas selecionados da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, lançada em 1966. Relembre-se que este conjunto de poesias recolhidas por Natália Correia foram então objeto de censura e apreensão e matéria de julgamento da poeta em Tribunal Plenário, acusada de imoralidade e ofensa ao “pudor geral”, à “decência”, à “moralidade pública” e aos “bons costumes”.
Jorge Silva Melo, Lia Gama, Maria João Luís e Catarina Wallenstein, entre outros atores, vão estar na Casa Sommer para dizer “Em Voz Alta” a poesia de autores como Camões, Sophia de Melo Breyner, Natália Correia, Mário Cesariny ou Carlos de Oliveira.
As sessões de Em Voz Alta, os nossos Poetas surgem de uma parceria entre a Fundação Dom Luís I, a Câmara Municipal de Cascais e o grupo de teatro Artistas Unidos. A entrada é gratuita nas sessões que decorrem mensalmente, entre janeiro e dezembro de 2019.
Salvato Teles de Menezes, presidente da Fundação Dom Luís I, salienta: “A Fundação recebe com grande satisfação mais um ano da iniciativa Em Voz Alta, os nossos Poetas. Em 2018, a obra de autores nacionais chegou a vários públicos graças a este projeto dos Artistas Unidos, que se revelou um verdadeiro êxito. Em 2019, apostamos num formato renovado, para que a Poesia portuguesa esteja mais viva do que nunca, agradecendo, desde já, a parceria dos Artistas Unidos e a sua aposta no público do Bairro dos Museus.”
19 JANEIRO
Poesia erótica portuguesa (da antologia de Natália Correia) por Manuel Wiborg e Luís Lucas
NATÁLIA CORREIA nasceu na Fajã de Baixo, São Miguel, Açores, a 13 de setembro de 1923. Poetisa, ficcionista, contista, dramaturga, ensaísta, editora, jornalista, cooperativista, deputada à Assembleia da República (primeiro pelo PSD, depois como independente pelo PRD), foi uma das vozes mais proeminentes da literatura e da cultura portuguesas na segunda metade do século xx, tendo resistido energicamente ao Estado Novo e aos radicalismos do pós-25 de Abril. Ecuménica e eclética, filantropa e idealista, anteviu um novo tempo, que garantisse a paz, a dignidade humana, a justiça social e o direito à diferença como raízes indeléveis da democracia. Morreu em Lisboa, a 16 de março de 1993.
16 FEVEREIRO
Carlos Oliveira por Jorge Silva Melo e Luís Lucas
CARLOS DE OLIVEIRA Nasceu em 1921 no Brasil, filho de imigrantes portugueses, mas a família regressou a Portugal quando o poeta tinha 2 anos fixando-se em Cantanhede onde o seu pai exerceu medicina. Em 1933 mudou-se para Coimbra por fim de completar os estudos secundários e universitários licenciando-se em Ciências Histórico-Filosóficas em 1947, com a tese Contribuição para uma estética neorrealista. É precisamente neste período que despertou para a escrita no seio do movimento neorrealista tendo publicado o seu primeiro livro de poesia, intitulado Turismo, em 1942 e o primeiro romance, Casa na Duna no ano seguinte. Em 1948 muda-se para Lisboa vindo a colaborar com várias publicações como a revista Vértice da qual foi diretor. Em 1953 publica o romance Uma Abelha na Chuva considerada uma das obras mais importantes da literatura portuguesa do século XX. Com a publicação do livro de poemas Cantata em 1960, que marcou a evolução do seu discurso poético, os seus trabalhos posteriores foram eleitos entre a poesia portuguesa contemporânea de referência. Em Abril de 1972 estreou o filme Uma Abelha na Chuva de Fernando Lopes, numa adaptação do romance com o mesmo nome. Publicou em 1978 a obra Finisterra considerada como renovadora do romance português. Morreu em Lisboa em 1981.
25 MARÇO
José Afonso por Lia Gama, António Simão e João Meireles
JOSÉ AFONSO nasceu em Aveiro em 1929, filho de um magistrado e de uma professora primária. A infância reparte-se entre Aveiro, Angola, Moçambique, Belmonte e Coimbra. Em 1953 grava os primeiros discos, com «Fado das Águias» e outras canções. Em 1960 grava a «Balada de Outono» e regressa a África em 1964 como mestre-escola, experiência que se revelará fundamental na sua formação política. Expulso do ensino por razões políticas, dedica-se mais assiduamente à música e inicia um período de gravações regulares com «Cantares do Andarilho» (1968). Participa activamente no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, em Março de 1973 (onde estreia em público «O Que Faz Falta») e envolve-se na acção politica com grupos de vários sectores da Esquerda, desde o PCP à LUAR. Publica «Venham mais Cinco» (73). Em 29 de Março de 1974 participa no Encontro da Canção, no Coliseu dos Recreios, onde a censura não lhe permite cantar mais do que duas canções: «Milho Verde» e «Grândola Vila Morena». Em 1983 realiza os últimos espectáculos, nos coliseus de Lisboa e Porto. Publica o disco «Ao Vivo no Coliseu» e um belíssimo LP de originais, «Como Se Fora Seu Filho». Em 1985 publica o derradeiro disco, «Galinhas do Mato», onde já só dá voz a dois dos temas. Os restantes têm interpretações de Janita Salomé, Helena Vieira, Luís Represas, Né Ladeiras e José Mário Branco. Morreu em Setúbal em 1987.
13 ABRIL
Sophia de Mello Breyner Andersen por Catarina Wallenstein e Manuel Wiborg
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN Nasceu em 1919 no Porto. Em 1939-1940 estudou Filologia Clássica na Universidade de Lisboa. Publicou os primeiros versos em 1940, nos Cadernos de Poesia. Na sequência do seu casamento com Francisco Sousa Tavares, em 1946, passou a viver em Lisboa. Foi mãe de cinco filhos, para quem começou a escrever contos infantis. Além da literatura infantil, Sophia escreveu também contos, artigos, ensaios e teatro. Traduziu Eurípedes, Shakespeare, Claudel, Dante e, para o francês, alguns poetas portugueses. Em termos cívicos, a escritora caracterizou-se por uma atitude interventiva, tendo denunciado ativamente o regime salazarista e os seus seguidores. Foi ainda fundadora e membro da Comissão Nacional de Apoio aos Presos Políticos. Após o 25 de Abril, foi eleita para a Assembleia Constituinte, em 1975, pelo círculo do Porto, numa lista do Partido Socialista. Com uma linguagem poética quase transparente e íntima, ao mesmo tempo ancorada nos antigos mitos clássicos, Sophia evoca nos seus versos os objetos, as coisas, os seres, os tempos, os mares, os dias. Morreu em 2004 em Lisboa.
25 MAIO
Mário Cesariny por Jorge Silve Melo e Maria João Lucas
MÁRIO CESARINY Nasceu em lisboa em 1923. Poeta e pintor formou-se na Escola de Artes Decorativas António Arroio, estudou música com Fernando Lopes Graça e frequentou a academia parisiense La Grande Chaumière. É considerado o mais importante poeta do surrealismo português, tendo exercido grande influência na criação do Grupo Surrealista de Lisboa, em 1947, no mesmo ano em que se encontrou com André Breton, facto que marcaria o seu trabalho pictórico e literário. A sua personalidade inquieta e algumas discordâncias ideológicas levariam-no a afastar-se desse grupo e a lançar Os Surrealistas, escrevendo o Manifesto Abjeccionista, com Pedro Dom. Dos primeiros anos da década de 40 datam as suas primeiras pinturas, poemas e desenhos. Após uma breve passagem pelo neo-realismo e de influências de Cesário Verde e do futurismo de Álvaro Campos, é na corrente surrealista que encontra o seu estilo. Defensor e impulsionador de um movimento surrealista em Portugal, Cesariny influenciou diversos artistas portugueses. Morreu em Lisboa em 2006.
19 OUTUBRO
Poesia e Música (Lacerda, Hatherly, Osório, Pessanha, Pessoa, Cochofel, Sena, José Blanc, Gomes Ferreira, Castro Mendes, Cesariny) por Catarina Wallenstein, João Meireles, Jorge Silva Melo e Nuno Gonçalo Rodrigues
16 NOVEMBRO
Luís de Camões por Catarina Wallenstein e Manuel Wiborg
LUÍS DE CAMÕES Terá nascido em Lisboa em 1524 numa família de pequena nobreza Sobre a sua infância pouco se sabe mas terá recebido uma sólida educação nos moldes clássicos, dominando o latim e conhecendo a literatura e a história antigas e modernas. Pode ter estudado na Universidade de Coimbra, mas não existe registo. Frequentou a corte de D. João III, iniciou a sua carreira como poeta lírico. Diz-se que, por conta de um amor frustrado, se autoexilou em África, alistado como militar, onde perdeu um olho em batalha. Voltando a Portugal, feriu um servo do Paço e foi preso. Perdoado, partiu para o Oriente onde viveu vários anos enfrentando uma série de adversidades, combatendo ao lado das forças portuguesas. Foi neste período que escreveu a sua obra mais conhecida, Os Lusíadas. Morreu em Lisboa em 1580.
Logo após a sua morte a sua obra lírica foi reunida na coletânea Rimas, tendo deixado também três obras de teatro cómico. Camões foi um renovador da língua portuguesa e tornou-se um símbolo da identidade nacional sendo atualmente uma referência para toda a comunidade lusófona internacional.
4 DEZEMBRO
David Mourão Ferreira por Luís Lucas e Manuel Wiborg
DAVID MOURÃO-FERREIRA nasceu em Lisboa, em 1927. Em 1951, licencia-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Autor polifacetado, a sua obra reparte-se pela poesia, pelo ensaio, pela crítica literária, pela tradução, pelo romance, pelo jornalismo. Os seus primeiros poemas são publicados na Seara Nova, na década de 1940, embora seja com a revista Távola Redonda, na década seguinte, que a sua criação poética ganhou fôlego. Os seus poemas Sombra, Maria Lisboa ou Barco Negro ganharam notoriedade ao serem cantados por Amália Rodrigues. Foi ainda Secretário de Estado da Cultura entre 1976 e 1979, dirigiu a Revista Colóquio Letras e foi director do Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Calouste Gulbenkian. Morreu em Lisboa, em 1996.
Jorge Silva Melo
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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