Centro Cultural
de Cascais
Piso 1
16 Jan » 26 Mai ’21
Exposição
Terminada
Virginia Woolf, Um Quarto Só para Si
Vivian Maier (1926-2009) trabalhou como ama durante mais de quatro décadas a partir do início dos anos 50 do século XX. Passou a vida inteira despercebida até à recente descoberta da sua obra fotográfica (em 2007): um trabalho colossal composto por mais de 120 000 negativos, filmes em Super 8 e 16 mm, várias gravações, fotografias diversas, e uma multitude de filmes por revelar. Embora ainda não tenha havido tempo suficiente para comparar as diferentes análises académicas e críticas desta obra, parece apropriado apresentar uma selecção não exaustiva, contudo representativa, das imagens da fotógrafa. Esta primeira apresentação oferece um vislumbre da visão requintada e da subtileza com que Vivian Maier se apropriou da linguagem visual da sua época.
No seu tempo livre, Vivian Maier fotografou as ruas, as pessoas, objectos, paisagens; em última instância, e em termos simples, fotografou aquilo que via abruptamente. Ela sabia como capturar o seu tempo por uma fracção de segundo. Narrava a beleza das coisas comuns, em busca das falhas imperceptíveis e inflexões elusivas do real na banalidade do quotidiano.
O seu mundo era os outros, os desconhecidos e os anónimos que Vivian Maier tocou por um segundo,
de modo que quando ela fotografava com a câmara era primeiro uma questão de distância – a mesma distância que transformou aqueles personagens nos protagonistas de uma anedota sem importância.
E, embora ousasse fazer composições imperiosas e desconcertantes, Vivian Maier fica no limiar e até mesmo além da cena que fotografa, nunca deste lado, para não ficar invisível. Ela participa no que vê e torna-se também sujeito.
Os reflexos do seu rosto, a sua sombra que se estende no chão, a figura da sua silhueta, são projectados no perímetro da imagem fotográfica. Vivian Maier fez inúmeros auto-retratos durante esses anos com a insistência de alguém que procura por si mesma. Ela cultivava uma certa obsessão, menos pela imagem em si do que pelo acto de fotografar, pelo gesto, uma realização em devir. A rua era o seu teatro; as suas imagens um pretexto.
VIVIAN MAIER NÃO DEU TÍTULOS ÀS FOTOGRAFIAS. AS INDICAÇÕES DE LUGARES OU DATAS PROVÊM DAS ANOTAÇÕES ESCRITAS À MÃO, ENCONTRADAS NOS SEUS ARQUIVOS. TODAS AS IMAGENS EXPOSTAS VÊM DA COLECÇÃO DE JOHN MALOOF, EM CHICAGO.
Vivian Maier virou-se para a fotografia a cores no início dos anos 70. A mudança para a cor veio acompanhada de uma mudança de prática, pois a partir desse momento a fotógrafa trabalha com uma Leica. A câmara é leve, fácil de transportar: as fotos são tiradas diretamente à altura dos olhos, ao contrário da Rolleiflex que usava habitualmente. Vivian Maier afirma assim a sua arte, enquadrando-se no contacto visual com os outros, fotografando o mundo na sua realidade colorida. O seu trabalho a cores permanece, no entanto, singular e livre, até lúdico. Ela explora as especificidades da linguagem cromática com uma certa descontracção, elabora o seu próprio vocabulário, mas, acima de tudo, diverte-se com o real: destacando detalhes de cores estridentes, mostrando as discrepâncias multicoloridas da moda ou brincando com contrapontos reluzentes.
Sete episódios sobre Vivian Maier: Street Photographer
Marcos Cronológicos
Vivian Maier nasce em Nova Iorque, a 1 de Fevereiro. O pai é de origem austro-húngara e a mãe de origem francesa, nascida nos Alpes.
O pai deixa a casa de família. Vivian Maier e a mãe partilham um apartamento com a fotógrafa Jeanne Bertrand.
Viajam para França e estabelecem-se em Saint-Bonnet-en-Champsaur, nos Altos Alpes.
Regressam para viver em Nova Iorque.
Vivian Maier regressa a França para reclamar uma herança da sua tia-avó; ela utilizaria esse dinheiro para financiar a sua viagem e comprar uma câmara fotográfica.
Viaja para Cuba, Canadá e Califórnia. Começa a trabalhar como ama para ganhar a vida.
Compra a sua primeira Rolleiflex. Interessa-se pela vida quotidiana nas ruas de Nova Iorque. Também tira retratos: de celebridades, de crianças e de pessoas marginalizadas.
Viaja para Los Angeles onde trabalha.
Muda-se definitivamente para Chicago, onde trabalha para a família Gensburg, com a qual ficaria durante 17 anos. Monta o seu próprio laboratório fotográfico na casa de banho privativa.
Vivian Maier viaja pelo mundo, ficando principalmente nas Filipinas, Ásia, Índia, Iémen, Médio Oriente, Europa do Sul e Norte de África.
Tira fotografias a cores com a sua Leica, e filma também em 8 mm e 16 mm. Vivian Maier tira as suas últimas fotografias.
Guarda uma colecção considerável de livros, recortes de jornais, filmes e fotografias. Esta colecção seria arrestada por falta de pagamento do aluguer do armazém onde estava guardada. John Maloof descobre o trabalho de Vivian Maier em 2007.
Morre em Chicago a 21 de Abril.
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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