Armanda Passos nasceu a 17 de Fevereiro de 1944. Apesar de toda a sua família viver no Porto, e os seus irmãos terem nascido nessa cidade, por vontade de sua avó materna, o parto aconteceu no Peso da Régua, no Douro. Poucos dias depois do nascimento, veio para o Porto, cidade onde cresceu, estudou e viveu até ao fim. Licenciou-se em Artes Plásticas pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, atual FBAUP, com a classificação de 19 valores em Pintura, então regida por Júlio Resende. Ainda como aluna, foi convidada por Ângelo de Sousa para monitora de Gravura, disciplina que lecionou durante quatro anos. Expôs regularmente desde 1976, ano em que fez a sua primeira exposição no Museu de Aveiro. Entre as distinções recebidas, destaca-se o Prémio do Ministério da Cultura (1984) entregue em Lisboa pelo Primeiro-Ministro Mário Soares e o Vice Primeiro-Ministro Carlos Mota Pinto e a atribuição da Comenda da Ordem de Mérito pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, no Centro Cultural de Belém, Lisboa, no Dia de Portugal (2012). Os seus óleos fazem parte das coleções de arte do país: o Museu Nacional de Arte Contemporânea, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Champalimaud, a Fundação do Oriente, o Museu Coleção Berardo, a Coleção Millennium BCP, a Coleção de Arte Contemporânea do Estado, a Fundação D. Luís I, a Fundação da Casa de Mateus, a Universidade do Porto, o Museu de Serralves, o Museu do Douro, o Tribunal de Contas, o Tribunal Constitucional, a Procuradoria Geral da República, a Presidência da República – sala de Conselho de Estado. Representou Portugal em vários certames internacionais. Participou em inúmeras exposições coletivas e individuais. Destacam-se a exposição “Portuguese Contemporary Artists” no World Trade Center (Nova Iorque, 1985); a “V Biennal of European Graphic Art” (Heidelberg, 1988); “Paintings and drawings” (Londres, 1989); a “Exposition Internationale de la Gravure – Intergrafia 91″ (Katowice, 1992); “Centre de la Gravure” (La Louvière, 1993); EXPO 98 (Lisboa, 1998); duas exposições individuais realizadas pela Universidade do Porto, “Reservas” na Casa Andresen e “Obra Gráfica” na Reitoria, as únicas dedicadas a um artista plástico nas comemorações do Centenário da UP (Porto, 2011); nas Comemorações dos 50 anos do Palácio da Justiça, o Tribunal da Relação do Porto distinguiu Armanda Passos expondo no Átrio, com carácter permanente, o seu óleo “Arca de Noé” inaugurado pela Ministra da Justiça Paula Teixeira da Cruz (Porto, 2012). Intensa e complexa, a sua obra suscitou textos produzidos não apenas por críticos da especialidade, mas também por escritores, artistas e historiadores, desde Fernando Pernes, José Saramago, Vasco Graça Moura, Urbano Tavares Rodrigues, Eduardo Prado Coelho, António Alçada Baptista, David Mourão-Ferreira, Mário Cláudio, Mia Couto, Lídia Jorge, Raquel Henriques da Silva, Luís de Moura Sobral, José-Augusto França. Em 2005, construiu no Porto a Casa Armanda Passos, projetada por Álvaro Siza, que se destina a reunir e conservar as obras guardadas pela Pintora ao longo da sua vida. E a seu tempo torná-las acessíveis. Um lugar que é um mundo próprio. “Enquanto viveu – a Casa era a Armanda. E assim continuará.” (Siza, 2022) Armanda Passos encontrou-se com o cancro. Lutou sem uma queixa. Foi uma Mulher estóica. Em Outubro de 2021 deixou de viver. Estava em sua Casa, rodeada pelos seus companheiros inseparáveis, a sua filha Fabíola e o seu fidelíssimo Goji. O último desenho ficou gravado na parede principal da sua capela, onde se encontra sepultada, no Cemitério da Lapa, no Porto. Um ano após a sua morte, foi homenageada em Lisboa pela Fundação Champalimaud com a primeira retrospectiva da sua pintura a óleo. Revelou-se a originalidade da criação, as proporções míticas da Mulher e do Animal, o estilo inconfundível daquela que foi uma das maiores pintoras portuguesas. “A primeira retrospetiva de Armanda Passos confirma a força da sua obra e o que perdemos em não a ter visto até hoje assim”, escreveu Cristina Margato (“Além do Cérebro Racional”, Expresso, Revista 2022). A título póstumo, Armanda Passos recebeu, através de sua filha, o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada pelo Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa. Presentes na cerimónia, no Palácio de Belém, estiveram Dra. Leonor Beleza, o General António Ramalho Eanes e Mulher, o Professor Aníbal Cavaco Silva e Mulher (Dezembro de 2022).

