De Homero à Bíblia, desde as suas origens mais remotas, a cultura ocidental é marcada pela presença do texto. Foram assim muitas as obras que resistiram à passagem do tempo e que deram corpo a um cânone ao qual amiúde nos referimos como "clássicos". É sobre essas Grandes Obras da Cultura Ocidental que a Cátedra Cascais Interartes concebeu um ciclo-seminário permanente para o qual convidou reputados especialistas que nos irão ajudar a compreender melhor a razão pelas quais determinados textos conseguiram integrar o nosso tecido cultural comum.

Grandes Obras da Literatura Universal

14 Jan ’23 às 17h

A Tempestade de William Shakespeare

por Fátima Vieira

Conferência por Zoom

Senha: 042553

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Fátima Vieira é Vice-Reitora para a Cultura da Universidade do Porto. Professora Catedrática da Faculdade de Letras desta Universidade, onde lecciona desde 1986, defendeu a sua tese de doutoramento sobre a obra de William Morris e a tradição de literatura utópica inglesa, tendo-se especializado na área dos Estudos sobre a Utopia. Foi Presidente da associação Utopian Studies Society / Europe entre 2006 e 2016.

É Coordenadora do Pólo do Porto do Centre for English, Translation and Anglo-Portuguese Studies, onde dirige uma linha de investigação sobre o utopismo britânico e norte-americano, e colaboradora do Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa, onde tem coordenado projetos de investigação sobre o utopismo português. É atualmente coordenadora do projeto de investigação financiado pela FCT "Utopia, Alimentação e Futuro: O Modo de Pensar Utópico e a Construção da Sociedade Inclusiva - Um Contributo das Humanidades.

É, aliás, neste contexto investigativo que situa esta obra, no ensaio intitulado “O espaço da utopia em A Tempestade, de William Shakespeare”:

“É comum, na crítica shakespeariana, a referência a A Tempestade, como “a peça utópica de William Shakespeare”, uma espécie de legado de esperança na regeneração do homem, pelo arrependimento e pelo perdão. Tal referência não tem contudo sido sustentada por uma argumentação sólida e informada daquilo que é a tradição de literatura utópica inglesa, isto é, tem sido feita à margem da crítica que, desde a década de 80 do século XX, tem vindo a definir ferramentas conceptuais indispensáveis ao estudo do fenómeno do utopismo. Por outras palavras, a referência a A Tempestade como uma obra utópica surge no âmbito da crítica shakespeareana, mas não tem sido objecto de exame da chamada área dos Estudos sobre a Utopia.”

A Tempestade, de William Shakespeare, por Fátima Vieira

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