Conversas que se traduzem em olhares e vivências que se transformam em balanços. São as interpretações de quem viveu e participou nestes quarenta anos que transformaram Portugal. A pluralidade de opiniões e de análises sobre o mais longo período democrático da nossa história – a chamada III República. Repete-se: são conversas, mas também olhares, à volta e sobre um País que mudou (e muito) desde o 25 de Abril de 1974.
CONVERSAS DA III REPÚBLICA: 40 ANOS DE DEMOCRACIA
De Outubro de 2013 a Abril de 2014 no Centro Cultural de Cascais e Casa Das Histórias Paula Rego
1ª REPÚBLICA (1910-1926)
A revolução Republicana de 5 de Outubro de 1910 estabelece o início da 1ª República que, extremamente instável devido a frequentes divergências internas e pródiga em convulsões sociais que com frequência levavam às ruas violentos confrontos, acabou por ser “deposta” pelo golpe militar de 28 de Maio de 1926.
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2ª REPÚBLICA (1926 – 1974)
Liderado pelo General Gomes da Costa, o golpe militar de 28 de Maio de 1926 instituiu a 2ª República, abrindo caminho ao Governo autoritário de Salazar e mais tarde de Marcelo Caetano. Este período, que governou Portugal durante 48 anos, foi designado por Estado Novo (em vez de 2ª República) por questões ideológicas e propagandísticas, sendo derrubado pela Revolução dos Cravos, em Abril de 1974.
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3ª REPÚBLICA – 1974
A 3ª República é o período da nossa História que corresponde ao actual regime democrático, estabelecido após a Revolução de 25 de Abril de 1974; um golpe militar não violento que o mundo inteiro conheceu por Revolução dos Cravos, devido ao uso de cravos vermelhos nas espingardas dos soldados, como símbolo de paz. Faz em breve 40 anos.
1º CONVERSA
FERNANDO ROSAS | LUÍS MENEZES LEITÃO
Moderador: José Teles
Auditório da Casa das Histórias Paula Rego – 28 de Outubro de 2013
Teve lugar, no Auditório da Casa das Histórias Paula Rego, a primeira sessão de uma série de oito Conversas que, por iniciativa da Fundação D. Luís I, se prolongarão até vésperas do 25 de Abril de 2014, com o objectivo de reunir olhares e vivências que, baseados numa pluralidade de opiniões, a todos poderão ajudar a compreender melhor o que tem sido o mais longo período democrático da nossa
História. Nesta primeira sessão das “Conversas” participaram Fernando Rosas e Luís Menezes Leitão, ambos professores catedráticos de História Contemporânea e de Direito, respectivamente, com moderação de José Teles, numa sucessão de pontos de vista que animaram a plateia e estimularam a participação de vários intervenientes.
2ª CONVERSA
ZITA SEABRA | JOAQUIM LETRIA | JOÃO PROENÇA
Moderador: José Paulo Fafe
Auditório da Casa das Histórias Paula Rego – 25 de Novembro de 2013
Realizou-se no passado dia 25 de Novembro a segunda sessão da série de debates CONVERSAS DA III REPÚBLICA, que a Fundação D. Luís I promove na Casa das Histórias Paula Rego e no Centro Cultural de Cascais, e se prolongará até Abril do próximo ano assinalando quarenta anos de Democracia em Portugal. Nesta sessão, que teve lugar no Auditório do primeiro daqueles equipamentos, estiveram, na qualidade de participantes convidados, Zita Seabra, Joaquim
Letria e João Proença, cabendo a José Paulo Fernandes-Fafe moderar um conjunto de intervenções que muito interessou as pessoas presentes. As experiências de vida de cada uma das figuras públicas em palco motivaram a colaboração da assistência, parte da qual aproveitou a oportunidade para interpelar e questionar sem restrições de qualquer ordem os protagonistas da noite.
3ª CONVERSA
ANTÓNIO PEDRO VASCONCELOS | RAMON FONT | TERESA LOPES ALVES
Moderador: José Júdice
Auditório do Centro Cultural de Cascais – 12 de dezembro de 2013
Decorreu no passado dia 12 de Novembro a 3ª sessão de debates CONVERSAS DA III REPÚBLICA, evento que a Fundação D. Luís I organiza no Cento Cultural de Cascais e na Casa das Histórias Paula Rego e se prolonga até Abril de 2014, para assinalar os quarenta anos de Democracia em Portugal. Esta conversa, que teve lugar no Auditório do CCC, foi
protagonizada por Teresa Lopes Alves, Ramón Font e António Pedro Vasconcelos, sendo moderador José Júdice. Os participantes, através da revisitação de experiências pessoais, expressaram pontos de vista bastante divergentes mas complementares, alimentando o interesse da assistência, levada a intervir de forma muito pertinente e enriquecedora.
4ª CONVERSA
CARLOS CARREIRAS | CARLOS MATOS GOMES | JOÃO SOARES
Moderador: António Borga
Auditório da Casa das Histórias Paula Rego – 23 de Janeiro de 2014
Carlos Matos Gomes, João Soares e Carlos Carreiras, com moderação de António Borga, foram os protagonistas de uma das mais animadas sessões das CONVERSAS DA III REPÚBLICA que, por iniciativa da Fundação D. Luís I, têm vindo a decorrer desde Outubro de 2013, alternadamente, no auditório da Casa das Histórias Paula Rego e no do Centro Cultural de Cascais. CONVERSAS que se prolongarão até vésperas do 25 de Abril de 2014, evocando deste modo os 40 anos de Democracia em Portugal.
5ª CONVERSA
JOANA AMARAL DIAS | JOÃO CÉSAR DAS NEVES
Moderadora: Inês Serra Lopes
Auditório do Centro Cultural da Cascais – 17 de Fevereiro de 2014
Marcando a entrada na recta final das CONVERSAS DA III REPÚBLICA, que terminarão nas vésperas do próximo dia 25 Abril, realizou-se a 17 de Fevereiro passado a 5ª Conversa dessa interessantíssima série de encontros/debate levada a cabo por iniciativa da Fundação D. Luís I segundo proposta de José Paulo Fernandes-Fafe, autor da ideia e do formato. Esta 5ª Conversa, moderada por Inês Serra Lopes, trouxe aconfrontoas ideias da psicóloga Joana Amaral Dias e do economista João César das Neves sobre os 40 Anos de Democracia em Portugal que o próximo mês de Abril celebra. Colocados, como bem se sabe, em campos sociopolíticos bem distantes, o debate entre ambos foi, por norma, extremamente intenso e estimulante.
6ª CONVERSA
TEOLINDA GERSÃO | DULCE MARIA CARDOSO | EUGÉNIO LISBOA
Moderador: Júlio Conrado
Auditório da Casa das Histórias Paula Rego – 20 de Março de 2014
No passado dia 20 de Março, realizou-se no auditório da Casa das Histórias Paula Rego a 6ª sessão das CONVERSAS DA III REPÚBLICA que reuniu nomes tão marcantes no nosso panorama literário como Teolinda Gersão, Júlio Conrado (moderador), Eugénio Lisboa e Dulce Maria Cardoso. O público esperava, certamente, uma noite de amena tertúlia literária, mas os três convidados depressa demonstraram que as maiores preocupações que os movem neste momento não são as Letras, antes a evolução da Democracia Portuguesa desde o 25 de Abril de 1974 até à dura realidade actual: as vitórias, os fracassos, os sonhos, os desencanto, mas também a esperança que subsiste.
7ª CONVERSA
CARLOS AVILEZ | CARLOS CARVALHAS
Moderador: António Borga
Auditório da Casa das Histórias Paula Rego – 10 de Abril de 2014
Realizou-se no passado dia 10 de Abril a penúltima sessão das CONVERSAS DA III REPÚBLICA, que a Fundação D. Luís I tem vindo a promover desde Outubro do ano passado com o objectivo de contribuir para a celebração dos 40 anos de Democracia em Portugal. Nesta sessão participaram Carlos Avilez e Carlos Carvalhas, cabendo a António Borga a missão de moderar um conjunto de intervenções que muito interessaram e entusiasmaram o público presente.
8ª CONVERSA
ADRIANO MOREIRA
Moderadora: Ana Sousa Dias
Auditório do Centro Cultural da Cascais – 22 de Abril de 2014
Marcada por uma presença de inquestionável referência nos últimos 55 anos da vida pública portuguesa, realizou-se no passado dia 22 de Abril, no auditório do Centro Cultural de Cascais, a última sessão da estimulante série de “CONVERSAS DA III REPÚBLICA – 40 ANOS DE DEMOCRACIA” com que, desde Outubro do ano passado, a Fundação D. Luís I se propôs contribuir para a celebração de 40 anos de Democracia em Portugal.
À conversa com Ana Sousa Dias, o Professor Adriano Moreira percorreu a sua intensa vida de intervenção política, desde a sua juventude como simpatizante da Oposição Democrática e passando, naturalmente, pelo seu relacionamento pessoal com Salazar quando, a partir de1959, foi, primeiro, Secretário de Estado da Administração Ultramarina e, depois, Ministro do Ultramar, guardando toda a segunda metade desta sua participação nas CONVERSAS para falar da forma como sentiu e viveu o dia 25 de Abril de 1974 e estes 40 anos de Portugal Democrático.
À pergunta de Ana Sousa Dias “O que é que fez no dia 25 de Abril?”, Adriano Moreira respondeu: “Fui para o Chiado”. “E não teve medo de estar assim no meio da multidão?”. “Medo? Não. Porque é que haveria de ter medo?”
Vídeo Integral da 1ª Conversa da III República
Fernando Rosas
Jurista, Historiador e Político. Inicia a sua vida política activa com apenas 15 anos, aderindo ao Partido Comunista Português, do qual no entanto se afasta em 1968. É preso pela PIDE por duas vezes, cumprindo em qualquer delas penas superiores a um ano. Na iminência de uma terceira detenção consegue escapar e entra na clandestinidade até Abril de 1974. Após a Revolução dedica-se ao jornalismo. E em 1986, “cedendo” ao seu gosto pela História, conclui o Mestrado em História dos Séculos XIX e XX, doutorando-se em História Contemporânea quatro anos depois. Participou na fundação do Boco de Esquerda, em 1999, foi Deputado à Assembleia da República e candidato à Presidência da República em 2001.
Luís Menezes Leitão
Advogado, Professor Universitário e Presidente da ALP Concluiu a Licenciatura em Direito no ano de 1986 e realizou o Doutoramento em 1991, tendo feito investigação em diversas Universidades estrangeiras, nomeadamente na Alemanha, Itália, França e Estados Unidos. É Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde foi Presidente do Conselho Directivo de 2002 a 2004, sendo actualmente membro do Conselho Pedagógico do Centro de Estudos Judiciários. Tem um vasto conjunto de obras publicadas em diversas áreas do Direito e é Presidente da Associação Lisbonense de Proprietários – ALP.
Ramon Fonte
Jornalista Ramon Font, agora Director do Programa de Relações da Catalunha com Países de Língua Portuguesa, foi uma figura marcante no Portugal pós-25 de Abril, cujo processo político acompanhou na sua qualidade de correspondente da RNE e da TVE: as suas crónicas transmitiam sempre com rara isenção os acontecimentos que se iam sucedendo, sendo unanimemente considerado um jornalista muito bem informado que sabia fazer um uso honesto das suas informações privilegiadas. Foi Presidente da Associação da Imprensa Estrangeira em Portuga e Consultor de Lisboa 94, da Expo 98 e do Porto 2001. É ainda Secretário de Comunicação do Governo da Catalunha e Presidente do Conselho Audiovisual da Catalunha. É Comendador da Ordem do Infante Dom Henrique e Oficial da Ordem do Mérito.
Teresa Lopes Alves
Fadista Devotada à produção musical portuguesa e à sua divulgação, esta fadista empresária cresceu no concelho de Cascais e neste viveu durante um período substancial da sua vida. Desde tenra idade revelou ser dotada de especial intuição musical: aos doze anos recebeu as primeiras lições de piano, aos catorze frequentou as aulas da soprano Joana Levy, seguindo-se-lhes as do curso de música da Escola de Jazz Luís Villas-Boas, do Hot Clube de Portugal, com a cantora Paula Oliveira. Em 2004 tornou-se artista residente do Clube de Fado, requintado espaço criado para o efeito em Alfama. Cursou Pintura e Conservação e Restauro, completando com uma Pós-Graduação em Conservação e Restauro de Pintura Mural. Actualmente frequenta o curso de Ciências da Cultura na Faculdade de Letras. A fadista produz e apresenta diariamente na Rádio Amália o programa BRINCOS DE PRINCESA através do qual acolhe os mais representativos nomes do género bem radicado na tradição lisboeta e hoje património da Humanidade. Como empresária criou uma Loja de Música, a VLA Records, vocacionada tanto para a divulgação dos trabalhos de artistas portugueses consagrados como os dos talentos emergentes. Em 2010 editou o seu primeiro CD, Reflexo, em que combina os ritmos do fado, do jazz e do samba com o sentido de equilíbrio que uma tal mescla impõe, e que conheceu merecido êxito.
Carlos Carreiras
Gestor e Político Carlos Carreiras é presidente da Câmara Municipal de Cascais e foi presidente do Instituto Francisco Sá Carneiro até Março de 2013. Nasceu em Lisboa em 1961, mas não demoraria a mudar-se para o concelho de Cascais, onde jamais deixaria de ter residência fixa. Concluiu o Instituto de Contabilidade e Administração de Lisboa em 1987 e a sua actividade profissional desenrola-se na América do Sul, África e Europa em empresas do sector da hotelaria e grande consumo até 2005. Nessa altura sentiu o apelo da política autárquica.Fundador da JSD e dirigente nacional do PSD, Carlos Carreiras é um defensor das políticas públicas vocacionadas para o empreendedorismo e para a promoção do talento. Optimista militante e crente no potencial de Portugal, Carlos Carreiras foi o promotor do vídeo “What the Finns Need to Know about Portugal”, um dos maiores êxitos virais de 2011. Para além da actividade política e autárquica, Carlos Carreiras assina todas as quartas-feiras a coluna Com Vista para o Atlântico no Jornal “i”. Lançou, em abril de 2013, um livro com o mesmo nome onde estão reunidas, em colectânea, as crónicas publicadas ao longo de dois anos no “i”.
Carlos Matos Gomes
Oficial de Cavalaria e Escritor Coronel de Cavalaria na Reserva e condecorado com a medalha de Cruz de Guerra de 1ª Classe, cumpriu três comissões de serviço na Guerra de África, nos Comandos, servindo em Moçambique, Angola e Guiné, interessando-se entretanto por estudos de História Militar. Em 1974 Integrou a 1ª Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitães na Guiné e foi, depois, membro da Assembleia do MFA. É co-autor de diversas obras, nomeadamente sobre a guerra colonial, bem como autor de vários romances, sob o pseudónimo de Carlos Vale Ferraz, com destaque para Nó Cego, adaptado ao cinema por António Pedro Vasconcelos.
João Soares
Advogado, Editor Literário e Político Licenciado em Direito, é destacado militante do Partido Socialista desde a sua fundação. Esteve envolvido no Movimento Estudantil na década de 60 e fundou a Editora Perspectivas & Realidades. Foi deputado à Assembleia da República de 1987 e 1990, Vereador da Cultura da Câmara de Lisboa de 1990 a 1994 e deputado do Parlamento Europeu de 1994 a 1995, cargo ao qual renunciou para regressar a Lisboa e ser Presidente da Câmara de 1995 a 2002. Actualmente é deputado na Assembleia da República e Presidente da Assembleia Parlamentar da OSCE – Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.
Joana Amaral Dias
Psicóloga, Professora Universitária, Politica É licenciada em Psicologia Clínica pela Universidade de Coimbra, onde obteve o grau de Mestre em Psicologia Clínica do Desenvolvimento. Autora de diversos artigos científicos na sua área, leccionou em várias Universidades portuguesas e é docente do Instituto Superior de Psicologia Aplicada – ISPA desde 2004. Exerce Psicologia Clínica e é Terapeuta Familiar, área em que é Pós-graduada. Colabora regularmente em diversos órgãos de Comunicação Social em áreas tão distintas como a política, o desporto ou o cinema. Depois de vários anos como dirigente associativa foi Deputada Independente à Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda, entre 2002 e 2005. Em 2006 foi Mandatária para a Juventude da candidatura de Mário Soares à Presidência da República. É autora de Maníacos de Qualidade, um livro onde recebe no seu divã de psicanalista oito personalidades de relevo nas Artes e na História portuguesas, como Fernando Pessoa, D. João VI, Antero de Quental, Marquês de Pombal ou João César Monteiro, fazendo uma leitura comportamental destes vultos da Cultura e da História portuguesas à luz da psicologia e da psiquiatria actuais
João Cesar das Neves
Professor Universitário, Economista Nasceu em Lisboa em 1957. Licenciou-se em Economia na Universidade Católica, onde também se doutorou. Em 1990 foi assessor do Ministro das Finanças, Miguel Beleza, e depois conselheiro para os assuntos económicos do então 1º Ministro, Cavaco Silva, de 1991 a 1995. Publicou mais de quatro dezenas de livros, o primeiro dos quais em 1985 com o título Pobreza, Perspectivas de Análise Pluridisciplinar, editado pela Universidade Católica de Lisboa. É autor de vários artigos científicos que, como os seus livros, incidem sobre domínios como o desenvolvimento económico e a ética económica. É ainda colaborador regular na Imprensa assinando a coluna “Não há almoços grátis”, no Diário de Notícias. É membro de várias organizações católicas e no âmbito da Ficção publicou já algumas obras, como Parábolas sobre Jesus, Contos de Natal, Crónicas do Céu e O Primeiro Dia. É Professor Catedrático e presidente do Conselho Científico da Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica.
Teolinda Gersão
Professora Universitária e Escritora Nasceu em Coimbra, onde fez a Escola Primária, o Liceu e a Faculdade, formando-se em Filologia Germânica. Saiu de Coimbra em 1961 para ir estudar Germanística e Anglística para a Alemanha, na Universidade de Tubinga e também na de Berlim, onde foi Leitora de Português durante dois anos. De regresso a Portugal foi docente na Faculdade de Letras de Lisboa e depois Professora Catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde ensinou Literatura Alemã e Literatura Comparada. Depois da sua estada de três anos na Alemanha viveu dois anos em São Paulo e teve uma breve passagem por Moçambique. Em 1981 edita o seu primeiro romance, Silêncio, distinguido pelo Pen Clube Português com o prémio Ficção. Antes tinha escrito um Conto, intitulado “Pequena Biografia”, publicado na revista Colóquio Letras em 1968. Em 1995 abandona a vida académica para se dedicar inteiramente à Literatura. Autora sobretudo de romances, publicou duas novelas e duas colectâneas de contos. Três dos seus romances foram adaptados ao teatro. Em 1995 foi distinguida com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores pelo romance A Casa da Cabeça de Cavalo e, em 2002, com o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco, por Histórias de Ver e Andar. Ainda em 2002 recebeu o Prémio Fernando Namora pela novela Os Teclados. As Águas Livres, de 2013, é a sua obra mais recente.
Dulce Maria Cardoso
Escritora Dulce Maria Cardoso nasceu em Trás-os-Montes, mas passou a infância em Angola para onde viajou, ainda bebé, no paquete Vera Cruz. Regressou a Portugal na ponte aérea, em 1975. Tinha 11 anos. Licencida em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, exerceu advocacia durante alguns anos, mas abdicou dessa actividade para se dedicar à Literatura, estreando-se em 2002 com a publicação de Campo de Sangue, romance distinguido com o Grande Prémio Acontece de Romance. O seu segundo romance, Os Meus Sentimentos, recebe em 2005 o Prémio da União Europeia para a Literatura. Em 2008 publica Até Nós, uma colectânea de Contos e escreve alguns argumentos para Cinema. O Chão dos Pardais é o seu terceiro romance, publicado em 2009. Em 2012 foi condecorada pelo Governo Francês com as insígnias de Cavaleira da Ordem das Artes e das Letras de França. De 2012 é ainda o seu romance O Retorno, que narra o primeiro contacto com a nova terra de acolhimento pelos desalojados das ex-colónias.
Eugénio Lisboa
Ensaísta e Crítico Literário Nasceu em Moçambique em Março de 1930 e partiu para a Metrópole com 17 anos. Fixa-se em Lisboa onde vem a ingressar no Instituto Superior Técnico, licenciando-se em Engenharia Electrotécnica com 23 anos. Pouco depois da crise petrolífera de 1973/1974 vai para França, em 1976, como adjunto do director mundial de exploração da Compagnie Française des Pétroles. O ramo dos petróleos foi a sua especialidade profissional durante mais de vinte anos. Uma actividade que acumulou, de 1974 a 1978, com a de Professor Universitário em Moçambique, Pretória e Estocolmo, onde regeu cursos de Literatura Portuguesa. Ingressou em 1978 na vida diplomática, tendo exercido durante dezassete anos consecutivos o cargo de Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Londres. De 1996 a 1998 presidiu à Comissão Nacional da UNESCO. Ensaísta e crítico literário dedicou especial atenção à obra de José Régio. Grande parte dos Ensaios quie escrevera em Moçambique foram coligidos nos dois volumes de Crónica dos Anos da Peste. Colaborou em vários jornais e revistas moçambicanos, bem como nas publicações Jornal de Letras, O Tempo e o Modo e Colóquio Letras, entre outros. É Doutor Honoris causa pelas universidades de Nottingham, no Reino Unido, e Aveiro, tendo leccionado nesta durante seis anos. Foi distinguido com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique. Prémios literários: Cidade de Lisboa (1985) e Jacinto do Prado Coelho (2000). Obras recentes: Indícios de Oiro, Ler Régio e Acta Est Fabula.
Carlos Avilez
Encenador Estreou-se como Actor em 1956, na Companhia de Teatro Amélia Rey Colaço – Robles Monteiro, tendo iniciado em 1963 as suas arrojadas experiências como Encenador. Passa pelo Teatro Experimental do Porto, dirige o Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra e é co-fundador, em 1965, do Teatro Experimental de Cascais, onde se mantém, liderando um plano inovador que marca indelevelmente o Teatro Português e constitui referência fundamental na vida cultural portuguesa, faz em breve 59 anos. Foi Presidente do Instituto Português de Artes Cénicas, Director do Teatro Nacional S. João, no Porto, e Director do Teatro Nacional de Dona Maria II, em Lisboa. Funda, em 1992, a Escola Profissional de Teatro de Cascais. Em 1995 é agraciado Comendador pela Ordem do Infante D. Henrique e recebe a Medalha de Mérito da Câmara Municipal de Cascais.
Carlos Carvalhas
Economista e Político Nasceu em São Pedro do Sul. É licenciado em Economia pelo Instituto de Ciências Económicas e Financeiras da Universidade de Lisboa e aderiu ao Partido Comunista Português em 1969, com 27 anos. Esteve envolvido no Movimento Estudantil de oposição ao regime de Salazar e participou nas campanhas para as Eleições Legislativas de 1965, 1969 e 1973, todas elas ganhas pela União Nacional que “elegeu” – sempre – 100% dos seus deputados. Exerceu a sua actividade profissional numa empresa do Grupo CUF, a Profabril, da qual foi Director Financeiro, intervindo, entretanto, em acções sindicais dos Metalúrgicos. Após o 25 de Abril foi Secretário de Estado do Trabalho nos cinco Governos Provisórios, entre Maio de 1974 e Agosto de 1975, que tiveram como Primeiro-ministro Adelino da Palma Carlos (no 1º) e Vasco Gonçalves, nos seguintes. Foi também Vice-Presidente do Conselho Nacional do Plano, Deputado ao Parlamento Europeu e Membro do Conselho da Europa. Candidato à Presidência da República em 1991, sucedeu a Álvaro Cunhal, em 1992, no cargo de Secretário-Geral do Partido Comunista Português, cargo ao qual renunciou em 2004. Foi membro do Conselho de Estado. Entrevistado para a Antena 1, Carlos Carvalhas afirmava, há quinze anos, que “a moeda única é um projecto político que conduzirá a choques e a pressões a favor da construção de uma Europa federal, ao congelamento de salários, à liquidação de direitos, ao desmantelamento da segurança social e à desresponsabilização crescente das funções sociais do Estado.”
Adriano Moreira
Advogado, Estadista, Politólogo, Sociólogo, e Professor Universitário Nasceu em Macedo de Cavaleiros, distrito de Bragança. Aluno brilhante, licenciou-se em Direito, em 1944, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e doutorou-se, também em Direito, na prestigiada Universidade Complutense de Madrid. Jovem advogado, começou por ser simpatizante da Oposição Democrática, assinando inclusivamente uma lista do MUD em 1945, aproximando-se depois do regime de Salazar, que o chama, em 1959, para subsecretário de Estado da Administração Ultramarina, sendo no cargo de Ministro do Ultramar, a partir de 1961, que se notabilizou por levar a cabo uma política reformista, abolindo inclusivamente o Estatuto do Indigenato. E a despeito da sua polémica atitude de reabrir o Campo do Tarrafal para receber os presos dos movimentos de libertação das Colónias, Salazar fez-lhe sentir que não concordava com as suas políticas e que não hesitaria em demiti-lo, caso as não alterasse. Adriano Moreira, com efeito, manteve-se afastado da política activa durante a fase final do Estado Novo. Na Escola Superior Colonial, de que foi director, operou uma ampla reforma que abrangeria e reconheceria o estudo de disciplinas como Sociologia, Ciência Política e Relações Internacionais. Regressado à política depois do 25 de Abril de 1974, ingressou no CDS, partido do qual viria a ser Presidente de 1985 a 1988. Destacou-se nas funções de professor universitário na área das Relações Internacionais e é Professor Emérito da Universidade Técnica de Lisboa bem como Professor Honorário da Universidade de Santa Maria. Foi-lhe atribuído o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade Aberta e Universidade da Beira Interior, bem como pelas universidades de Manaus, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Baía e Pernambuco. Membro da Academia das Ciências de Lisboa, da Academia da Marinha e da Academia Portuguesa de História e, no Brasil, da Academia Brasileira de Letras e da Academia Internacional de Direito e Economia de São Paulo, Adriano Moreira é ainda o Presidente honorário da Sociedade de Geografia de Lisboa. Foi distinguido com diversas condecorações, com destaque para a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, e é autor de várias obras, desde Política Ultramarina, editado em 1956, até Teoria das Relações Internacionais, de 1996.
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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