Os Artistas Unidos e a Fundação D. Luís I decidiram, de comum acordo, retomar as sessões de poesia em voz alta na Casa Sommer, em Cascais, dando assim continuidade a uma iniciativa do saudoso Jorge Silva Melo. Por indicação de Jorge Silva Melo, o poeta Luis Filipe Castro Mendes foi escolhido pelos Artistas Unidos para passar a fazer a escolha dos poetas e dos poemas que integrarão estes ciclos.
Decidimos em primeiro lugar dar sequência à apresentação dos três poetas ainda escolhidos por Jorge Silva Melo, Antero de Quental, António Nobre e Ana Luísa Amaral, iniciando depois um novo ciclo de poetas e poemas. A sessão relativa a Antero de Quental terá lugar já no próximo dia 19 de novembro pelas 18 horas, na Casa Sommer, com poemas de Antero escolhidos por Luis Filipe Castro Mendes e lidos por Luís Lucas e Manuel Wiborg.
As sessões relativas a António Nobre e Ana Luísa Amaral (que recentemente perdemos) terão lugar respetivamente nos dias 3 de dezembro e 21 de janeiro próximos, com leituras por Luís Lucas e Catarina Wallenstein (António Nobre) e Lia Gama e Maria João Luís (Ana Luísa Amaral).
O ciclo seguinte será anunciado oportunamente e a escolha de poemas e poetas obedecerá aos mesmos critérios definidos por Jorge Silva Melo: poetas de língua portuguesa, de todas as épocas e tendências, apenas escolhidos pela sua qualidade.
Antero de Quental, por Luís Lucas e Manuel Wiborg
Casa Sommer
Sábado, 19 Nov ’22 às 18h
ANTERO DE QUENTAL (1842-1891) nasceu em Ponta Delgada, era filho de um combatente liberal, e o quarto de seis irmãos. Dedicou-se à poesia, à filosofia e à política. Iniciou os estudos em Ponta Delgada, estudou Direito em Coimbra, para onde se mudou com 16 anos – juntando-se à Sociedade do Raio, associação secreta de carácter conspirativo que tinha como objetivo a destituição do rígido e severo reitor Basílio Alberto de Sousa Pinto. Em 1861 publica os seus primeiros sonetos e, quatro anos depois, as Odes Modernas, influenciadas pelo socialismo experimental de Proudhon, e génese da Questão Coimbrã. Em 1866, muda-se para Lisboa, onde trabalha como tipógrafo, profissão que exerceu também em Paris, em janeiro e fevereiro de 1867. Regressa a Lisboa em 1868, constituindo e, mais tarde, dirigindo a tertúlia anárquica Cenáculo, com nomes como Jaime Batalha Reis, Eça de Queiroz, Germano Vieira Meireles, João Eduardo Lobo de Moura, Salomão Saragga, Manuel Arriaga, Ramalho Ortigão ou Guerra Junqueiro, entre outros, de onde nasceriam as Conferências do Casino. Fundou, com Oliveira Martins, Eça de Queirós e Batalha Reis, o jornal “A República – Jornal da Democracia Portuguesa” em 1870. Reuniu-se com a Associação Internacional dos Trabalhadores, onde apresentou as suas ideias anarquistas, estabeleceu contactos com os emissários espanhóis da Internacional, permitindo a entrada de Portugal na Primeira Internacional. Em 1871, profere a polémica conferência Causas da decadência dos povos peninsulares. Juntamente com José Fontana, em 1872, passou a editar o jornal socialista O Pensamento Social e colaborou em diversas publicações periódicas: A Esperança, Renascença, O Pantheon, Branco e Negro, Contemporânea, A imprensa, O Thalassa e, a título póstumo, no periódico O Azeitonense. Em 1879 mudou-se para o Porto, e em 1886 publicou aquela que é considerada a sua melhor obra poética, Sonetos Completos, com características autobiográficas e simbolistas.
Ler um poeta
Jorge Silva Melo
Leitores
LUÍS LUCAS
Frequentou o curso de Teatro do Conservatório Nacional. Estreou-se em 1972 no Teatro da Comuna, de que foi um dos membros fundadores. Em França estagiou no Théatre du Soleil e foi assistente de Jean Jourdheuil e Patrice Chéreau. Tem desde então trabalhado com o Teatro da Cornucópia, Osório Mateus, Teatro da Graça, Teatro Nacional D. Maria II e muito frequentemente no cinema com realizadores como João Botelho, José Álvaro Morais, Manoel de Oliveira, Solveig Nordlund, Jorge Silva Melo, Eduardo Geada, entre outros.
MANUEL WIBORG
Estreia-se como ator em 1991 fazendo filmes de Manuel Mozos, Joaquim Pinto, Jorge Silva Melo, Jorge Queiroga, António da Cunha Telles, Jacinto Lucas Pires, António Campos, Margarida Gil, Fernando Vendrel, Zézé Gamboa, Raúl Ruiz, Valeria Sarmiento, Jean Sagols, Maria Schrader, entre outros. Em 1993, é premiado no Festival de Cinema de Dunquerque (melhor ator). No Teatro, representou peças de Heiner Müller, Brecht, Shakespeare, Joyce Caroll Oates, Pinter, Strindberg, Marguerite Duras, Lars Norén, Jenny Schwartz, Jorge Silva Melo, Jacinto Lucas Pires, Gonçalo M. Tavares, José Maria Vieira Mendes, entre outros. Em 1998, funda a Companhia de Teatro Actores Produtores Associados (subsidiada pela DGartes) que dirige até 2008 e onde encena, produz e interpreta peças de Dostoievsky, Melville, Ibsen, Anthony Burgess, Biljana Srbljanovic, Bret Easton Ellis, Jon Fosse, Wallace Shawn e André Gregory, Ruy Duarte de Carvalho, Jacinto Lucas Pires, Gonçalo M. Tavares, José Maria Vieira Mendes, entre outros. Em 2001, recebe o prémio Revelação Ribeiro da Fonte (MC) como melhor encenador. Trabalha regularmente para a televisão desde 1991. Em 2014, funda a Associação Cultural e Artística Teatro do Interior que dirige até hoje.
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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