Centro Cultural de Cascais,
Piso 2
2 Mai » 11 Jul ’21
De terça a domingo
das 10hàs 18h
última entrada às 17h40
Sophia de Mello Breyner
Do vento ao fundo do mar
Há um encontro de diferentes manifestações artísticas que dá corpo a esta exposição sobre o mar e que estão presentes nos trabalhos de Tim Madeira e António Alves da Costa.
Nesta exposição podemos ver, ouvir e sentir pinturas, fotografias, intervenções site-specific, vídeo e instalação pública de obras que se engolfam, como corpos nas ondas do mar.
Os percursos de Tim e António já se cruzaram uma série de vezes, há sensivelmente uma década, ora em exposições, ora em intervenções teatrais, ou em projetos digitais passados, sempre revelando uma sincronia plástica e ensaiando novas descobertas estéticas.
A maioria das obras é feita sobre velas antigas de barcos, com formas invulgares, algumas delas retalhadas e manchadas pelo tempo.
Encontramos fotografias impressas em tela que depois foram aplicadas nas velas e intervencionadas com pinturas, manchas de cor e palavras. Da dança do vento ao silêncio do fundo do mar, estas resultam de uma tentativa de dar expressão à matéria que nos permite viajar em vasto oceano.
Neste conjunto de obras sentimos o impulso do chamamento da viagem; há em todos nós portugueses essa travessia marítima que perdura há seculos na nossa história. Por isso, a exposição inclui a leitura de diversos poemas que nos transportam para a nossa relação especial com o mar: poemas de Sophia de Mello Breyner, David Morão Ferreira ou Eugénio de Andrade.
Esta exposição Do Vento ao fundo do Mar apresenta peças produzidas em diferentes períodos, interligando-se entre si. As mais recentes – caixas de madeira com pequenas intervenções sobre a poética do mar – marcam esse lugar das memórias coletivas que temos, desde a infância, acerca da ida ao mar, dos vários caminhos que nos ligam à costa marítima, à sua brisa; aos cheiros característicos; aos seus sons fortes. “O meu interior é uma atenção voltada para fora”, já escreveu Sophia que de mar e de gente entendia como ninguém.
O mar é esse interior, esse “segredo íntimo” que se desdobra em Tim e em António – essa vontade de exteriorizar a experiência atenta a este elemento central, fértil em pensamento, mensagem e imaginação.
Elisa Ochoa
Curadora
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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