Centro Cultural de Cascais
Piso 2
1 Out » 26 Fev ’23
De terça a domingo
das 10h às 18h
última entrada ás 17h40
Rui Chafes in O Silêncio de …
Pare, Escute e Olhe
PEDRO PARTIDÁRIO
O trabalho sobre papel de Pedro Partidário é filiado em Maria Velez, pintora e sua professora de Desenho no 1º ano do curso de Arquitectura, que, a seu tempo, sugeriu o seu nome ao marido, o Escultor Fernando Conduto, para fazer parte do grupo de docentes de Desenho e de Projecto do 1º ano do curso de Arquitectura da Universidade Lusíada de Lisboa, disciplinas que coordenava no início dos anos de 1990.
Pedro Partidário iniciou a sua experiência pedagógica, primeiro como professor de Projecto e, dois ou três anos depois, como professor de Desenho. Destacou-se rapidamente como um dos mais activos e empenhados membros do corpo docente na defesa do Desenho enquanto suporte intelectual e linguístico da actividade projectual aplicada, estabelecendo com os colegas e, sobretudo, com o casal Maria Velez e Fernando Conduto, uma forte amizade e cumplicidade para a vida.
O título escolhido para esta exposição, PARE, ESCUTE E OLHE, não será estranho a todos os que partilham a circunstância de terem sido alunos do Escultor Fernando Conduto: um alerta, oportunamente repetido nas suas aulas. Este aviso de atenção aos comboios continuou a ser ouvido nas reuniões semanais de coordenação na Universidade Lusíada, onde que se pensava e discutia o Desenho. O panorama entre o coordenador Fernando Conduto e o elenco de professores de Desenho, que chegou a ser de dezassete elementos, era de militância sem excepção e era grande o entusiasmo com que se discutiam as questões do Desenho, se criavam exercícios e se analisavam os resultados obtidos com os alunos. Esta relação cresceu para além da componente didáctica e pedagógica do meio académico entre alguns docentes, dando origem a fortes laços de amizade e de cumplicidade, em especial entre o Professor Conduto e Pedro Partidário.
A exposição que a Fundação D. Luís l apresenta ao público revela o crescimento e a maturidade atingida por Pedro Partidário na expressão gráfica, muito para além da actividade de arquitecto e de docente, criando um corpo de trabalho artístico só possível na persistência do saber parar, escutar e olhar. Organizada em três espaços, o primeiro, o espaço da Ética, Onde a Poesia não Entra, é de reacção às situações de maus-tratos e de injustiça que vitimizam sobretudo as mulheres.
Os outros espaços revelam a compulsividade no acto de desenhar: Um, Depois do Poema, de resposta às leituras de poesia, com destaque para os poetas Herberto Hélder e Carlos Drummond de Andrade. Outro, Perante o Poema, resulta da deambulação e da contemplação da paisagem rural e da paisagem costeira, onde o Pedro colhia e desenhava momentos de pura poesia.
Parem, escutem e olhem…
Miguel Navas
AS MULHERES DO PEDRO PARTIDÁRIO
São esboços de dor, solidão, abandono…
São rabiscos de mulheres vergadas, feridas, precocemente envelhecidas.
São ao mesmo tempo belas, uma beleza que se lê pelo traço do autor.
Pedro Partidário oferece-nos mulheres incompletas e ainda assim infinitas.
Imagino-as vítimas de uma violência que começou lá atrás,
Muito antes do punho, a força da palavra que humilha, verga e destrói.
Muito antes do sangue, as lágrimas lambidas em silêncio envergonhado.
É aí que tudo começa sem que ninguém o suspeite, nem a própria.
E é nesse momento, nesse preciso momento, que se ultrapassa uma fronteira para sempre.
Muito tempo será preciso para definir aquele momento primeiro,
Aquele momento em que tudo morreu entre um homem e uma mulher.
Estas mulheres estão frágeis, não são frágeis.
Estas mulheres estão quebradas, mas não vão ficar quebradas.
Estas mulheres têm em si a força da reconstrução.
Estas mulheres não sabiam amar ou amavam demais.
Sabem agora que o Amor não é isto.
Alberta Marques Fernandes, Fevereiro 2019
AMIGO DA
FUNDAÇÃO




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