In Memoriam

António Borges Coelho (1928-2025) foi um homem que sempre amou a palavra, burilando-a nas suas múltiplas formas. Os seus romances, textos dramáticos, poéticos e a sua obra historiográfica são disso exemplo. Homem de convicções, foi sempre o gentil e sábio Professor que acompanhou todos seus discípulos, escutando-os, partilhando o seu imenso saber. Até aos seus derradeiros dias exerceu, com constante paixão, o seu ofício de historiador.

Deixou-nos, mas a sua incontornável obra permanece. A sua História de Portugal, obra daquele que será o seu tempo de sínteses, plasma esse constante diálogo com o passado visto à luz de diferentes ponderações críticas, expõe uma permanente busca ontológica do ser da História, analisa como se foi construindo um solo identitário plural, o seu, o nosso.

Ana Paula Menino   

O Borges Coelho foi um homem bom, amigo dos seus amigos, compreensivo, que não gostava de se gabar de coisa nenhuma, mesmo da extrema coragem que demonstrou quando era difícil ser corajoso, quando contava afirmar independência de pensamento e acção.  Tendo feito parte de uma geração de grandes historiadores com pontos de vista muito distintos (Barradas de Carvalho, Borges de Macedo, Joel Serrão, Veríssimo Serrão), destacou-se pelo rigor e pela qualidade dos seus trabalhos historiográficos, bem como pela variedade das suas intervenções noutras áreas de criação intelectual. Quero recordá-lo como amigo e Conselheiro da Fundação desde o primeiro dia, sempre discreto e amável, sem deixar de ser frontal: um exemplo para todos. E o convívio que mantivemos, com Mário Vieira de Carvalho, António Borga, também Conselheiros da Fundação, e Zeferino Coelho, seu editor.

Esteja onde estiver, não será esquecido.

Salvato Teles de Menezes

 

 

Fotografia Câmara Municipal de Murça

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